A onda de assaltos aos ônibus urbanos continua assustando. Só nos primeiros cinco dias de 2002 foram registradas 32 ocorrências; 28 na empresa Transporte Coletivo Grande Londrina (TCGL) e 4 na TIL. Entre às 21 horas de sexta-feira e às 6h15 de ontem foram assaltados quatro ônibus da TCGL: dois na linha 314 – Olímpico, região oeste de Londrina, uma das mais visadas.
Os outros dois assaltos foram praticados na linha 411 – Paraíso e na linha 416 – Farid Libos. Nos quatro casos, homens armados com revólver ou faca, um deles menor, levaram no total R$ 214,00, passes e um relógio e carteira de documentos do cobrador Arnaldo da Silva, da linha 314.
Sacolejar diariamente em um coletivo que trafega pelas ruas da periferia deixou de ser apenas desconfortável. O medo e a apreensão embarcam junto com passageiros. Motoristas e cobradores agora enfrentam o medo da morte enquanto ganham o pão de cada dia.
O encarregado de fiscalização do Terminal Urbano Jorge Peixoto está há 19 anos na profissão e diz que a onda de assaltos cresceu nos últimos dois anos. Em 2000 foram 83 e em 2001, 340 só na TCGL.
Peixoto conta que motoristas e cobradores estão apavorados. ‘‘Eles sempre ficam na expectativa se aquele dia serão assaltados ou não. Por enquanto houve apenas uma vítima baleada, que quase morreu’’, afirma. Mesmo sob pressão – alguns já passaram por até dois assaltos em um único dia – essas pessoas não vêem alternativa, pois precisam trabalhar.
O motorista Devanir Virgílio de Oliveira foi baleado em novembro do ano passado enquanto dirigia o coletivo da linha 407 – João Paz. Ele ainda não se recuperou, mas segundo Peixoto, assim que estiver completamente bom, voltará a trabalhar. ‘‘É o ganha pão dele’’, diz. Peixoto afirma que a onda de assaltos se generalizou. ‘‘Não é mais só a linha 314 que sofre assaltos. As linhas 307, 107, 503, 407, 406 e outras também já foram assaltadas’’.
Para os passageiros, mesmo aqueles que ainda não estiveram em ônibus assaltado, o medo é o mesmo. Célia Regina Rodrigues, 27 anos afirma que a segurança só vai voltar quando os ônibus tiveram policiais à paisana. O aposentado Anésio Balbino Martins, 69 anos, afirma que ‘‘se o governo quiser, desarma todo mundo e acaba com a violência’’, diz.
A expectativa para 2002, de acordo com Peixoto, é de melhora. ‘‘A polícia está empenhada em pegar os assaltantes. Chegam ao local de assalto em cinco, dez minutos’’, afirma. Segundo o sub-tenente do 5º Batalhão da Polícia Militar, Geraldo Miranda, o patrulhamento está sendo intensificado.

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