Em 5 dias, 32 ônibus foram assaltados
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domingo, 06 de janeiro de 2002
Erika Pelegrino 
A onda de assaltos aos ônibus urbanos continua assustando. Só nos primeiros cinco dias de 2002 foram registradas 32 ocorrências; 28 na empresa Transporte Coletivo Grande Londrina (TCGL) e 4 na TIL. Entre às 21 horas de sexta-feira e às 6h15 de ontem foram assaltados quatro ônibus da TCGL: dois na linha 314 Olímpico, região oeste de Londrina, uma das mais visadas.
Os outros dois assaltos foram praticados na linha 411 Paraíso e na linha 416 Farid Libos. Nos quatro casos, homens armados com revólver ou faca, um deles menor, levaram no total R$ 214,00, passes e um relógio e carteira de documentos do cobrador Arnaldo da Silva, da linha 314.
Sacolejar diariamente em um coletivo que trafega pelas ruas da periferia deixou de ser apenas desconfortável. O medo e a apreensão embarcam junto com passageiros. Motoristas e cobradores agora enfrentam o medo da morte enquanto ganham o pão de cada dia.
O encarregado de fiscalização do Terminal Urbano Jorge Peixoto está há 19 anos na profissão e diz que a onda de assaltos cresceu nos últimos dois anos. Em 2000 foram 83 e em 2001, 340 só na TCGL.
Peixoto conta que motoristas e cobradores estão apavorados. Eles sempre ficam na expectativa se aquele dia serão assaltados ou não. Por enquanto houve apenas uma vítima baleada, que quase morreu, afirma. Mesmo sob pressão alguns já passaram por até dois assaltos em um único dia essas pessoas não vêem alternativa, pois precisam trabalhar.
O motorista Devanir Virgílio de Oliveira foi baleado em novembro do ano passado enquanto dirigia o coletivo da linha 407 João Paz. Ele ainda não se recuperou, mas segundo Peixoto, assim que estiver completamente bom, voltará a trabalhar. É o ganha pão dele, diz. Peixoto afirma que a onda de assaltos se generalizou. Não é mais só a linha 314 que sofre assaltos. As linhas 307, 107, 503, 407, 406 e outras também já foram assaltadas.
Para os passageiros, mesmo aqueles que ainda não estiveram em ônibus assaltado, o medo é o mesmo. Célia Regina Rodrigues, 27 anos afirma que a segurança só vai voltar quando os ônibus tiveram policiais à paisana. O aposentado Anésio Balbino Martins, 69 anos, afirma que se o governo quiser, desarma todo mundo e acaba com a violência, diz.
A expectativa para 2002, de acordo com Peixoto, é de melhora. A polícia está empenhada em pegar os assaltantes. Chegam ao local de assalto em cinco, dez minutos, afirma. Segundo o sub-tenente do 5º Batalhão da Polícia Militar, Geraldo Miranda, o patrulhamento está sendo intensificado.


