Londrina – O Estado do Paraná registrou 3.168 mortes por acidentes de trânsito em 2013, o que representa 7% dos mais de 43 mil óbitos no ano em todo o País. A informação foi divulgada ontem pelo Ministério da Saúde, que revelou ainda um crescimento de 115% de motociclistas atendidos no Sistema Único de Saúde (SUS) nos últimos seis anos em decorrência de acidentes no Brasil. Já as despesas públicas aumentaram 170,8% para atendimento das vítimas com motocicletas. No Paraná, foram 2.764 internações no ano passado, com gastos de R$ 4,5 milhões.
O Estado é o 14º no ranking de mortes por acidentes de motocicletas com 723 óbitos em 2013, o que significa 22% das ocorrências com vítimas fatais no Paraná. Em todo o País foram 12.040 mortes de motociclistas, 180% a mais do que os 4.292 óbitos registrados em 2003.
Para diminuir o número de mortes e as despesas com internações, o major da reserva da Polícia Militar e especialista em trânsito, Sérgio Dalben, defende investimentos em campanhas educativas e ações preventivas nas ruas. "Campanhas devem ser realizadas constantemente em nível nacional, estadual e municipal. Os órgãos que mais arrecadam são os responsáveis pelo trânsito, mas são os que menos investem em ações preventivas e educativas. Não dá pra concentrar as atividades apenas em maio na campanha do Denatran (Departamente Nacional de Trânsito)", critica.
Dalben argumenta que os investimentos na educação no trânsito diminuem as ocorrências e até as multas. "Quando é instalado um aparelho eletrônico ou uma pessoa uniformizada realiza a fiscalização, não ocorre o aumento das infrações. É justamente o contrário. Os motoristas tomam mais cuidado e os acidentes caem drasticamente nesta área", afirma.
Além disso, ele avalia que as campanhas educativas podem economizar o dinheiro público gasto nas internações de motociclistas atendidos pelo governo. "Isso é resultado da falta de investimentos na prevenção. A consequência é o aumento das despesas do SUS e a falta de leitos nos hospitais, que poderiam ser usados por pessoas com problemas de saúde ao invés das vítimas de acidentes", analisa.
Dalben também lembra que as despesas do condutor ainda podem aumentar por causa da internação. "Se a vítima ficar afastada por mais de 15 dias passa a receber apenas 70% do holerite e ainda depende de uma perícia que leva no mínimo quatro meses para atendê-lo. Enquanto isso, ele continua com despesas fixas, além de gastos com remédios e exames", acrescenta.
Ele sugere campanhas que levem em conta características regionais para identificar os problemas. "Assim, os órgãos podem planejar atividades, como panfletagem, abordagens e instalação de outdoors voltados para os públicos mais envolvidos nos acidentes", justifica.

ESTATÍSTICAS
O especialista em trânsito também critica os levantamentos realizados pelos órgãos públicos com variações de acidentes e mortes. "Os dados não podem ficar concentrados apenas nos números, que podem variar até por questões climáticas. Se cai ou sobe, as campanhas devem continuar diariamente para prevenção", ressalta. De acordo com ele, avaliações técnicas deveriam ser feitas nos locais para identificação dos problemas que motivaram os acidentes, o que não ocorre por falta de pessoal.

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