Em 10 dias, queimadas destroem vegetação e mudam paisagem no interior de SP


FERNANDA CANOFRE
FERNANDA CANOFRE

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - Na região de Águas da Prata, interior de São Paulo, os dias seguintes ao fogo que atingiu quase metade do Parque Estadual da cidade, área de preservação de Mata Atlântica, e atingiu fazendas, deixaram pontos brancos, coberto por cinzas, quase parecendo neve ao primeiro olhar.

Os vários focos de incêndio que atingem a região há pelo menos 10 dias, próxima à divisa com Minas Gerais, já queimaram cerca de 600 hectares, incluindo o município, onde foram atingidos 20 hectares, além de São João da Boa Vista (500 hectares) e Vargem Grande do Sul (165 hectares).



Nesta quarta-feira (16), segundo o Corpo de Bombeiros, ainda há focos de fumaça em Águas da Prata e Vargem Grande do Sul. O fogo maior na região começou no dia 5 de setembro e levou uma semana para ser controlado.

No domingo, outro foco de incêndio atingiu o parque estadual que fica em Águas da Prata, conhecido como bosque, fazendas da região e chegou perto de áreas residenciais. Quatro famílias foram retiradas de suas casas, mas foram autorizadas a retornar no dia seguinte.

A maioria das áreas queimadas, segundo a Defesa Civil estadual, são áreas de cultivo, especialmente de pasto e eucalipto. A região está há cerca de 20 dias sem chuva e deve permanecer assim até o final do mês.

A baixa umidade relativa do ar e vegetação seca, combinado com focos de incêndio provocados por ação humana acabam colaborando para que o fogo se alastre, segundo o capitão Rafael Marques, da coordenadoria da Defesa Civil de São Paulo.

"Incêndios em coberturas vegetais na região, sempre aconteceram. O problema é que dessa vez eles tomaram proporções muito grandes e acabaram atingindo uma área onde até então não havia incêndio, que foi o bosque em Águas da Prata e a Serra da Paulista", explica ele.

Não há levantamento de quantos animais foram atingidos pelo fogo. Um haras, em São João da Boa Vista, perdeu dois cavalos que estavam em um piquete e não puderem ser retirados a tempo, na semana passada.

Ainda de acordo com a Defesa Civil, na terça-feira, no meio da tarde, um incêndio grande surgiu em uma pastagem, com características que apontam para um foco provocado, não iniciado de forma espontânea. É esse tipo de incêndio que preocupa as equipes que trabalham no combate, nesse momento.

"Nós tínhamos ali o que a gente chama linha de fogo, um traçado bem desenhado do fogo, no limite da pastagem. Isso é característica de mapeamento de fogo para limpeza de terreno. Logicamente, aquilo não fica restrito à pastagem, acaba avançando para área de preservação, de cultivo e a gente se depara com a situação que estamos vivendo hoje", diz o capitão Marques.



A Polícia Civil de São Paulo instaurou inquérito para apurar os incêndios identificados na região, com registros a partir do dia 2 de setembro.

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