ELK, uma incógnita para o futuro de Kosovo
Roma, 15 (AE-ANSA) - O Exército de Libertação de Kosovo (ELK), acusado de matar dezenas de civis e militares sérvios em meio à retirada das tropas de Belgrado, é uma das maiores incógnitas no processo de pacificação e inclusive no futuro de Kosovo, a turbulenta província iugoslava com maioria étnica albanesa.
Com a entrada da força multinacional em Kosovo, os guerrilheiros separatistas albaneses kosovares reapareceram armados até os dentes, apesar de uma resolução específica do grupo dos sete países mais industrializados e a Rússia (G-8) prever sua desmilitarização.
Em poucos dias eles mataram dezenas de sérvios, civis e militares; ocuparam um bairro de Prizren, no sul de Kosovo, e alguns de seus dirigentes declararam sem ambiguidades que não renunciarão jamais a seu projeto de independência.
Há pouco mais de um ano o ELK praticamente não existia; eram apenas grupos marginais e ilhados que esporadicamente esboscavam as forças de segurança iugoslavas.
Depois das matanças de Drenica, ocorridas em fevereiro e março de 1988, o movimento adquiriu uma estrutura político-militar e paulatinamente foi ocupando vastas zonas da província sérvia.
Segundo estimativas, o ELK conta com milhares de membros, organizados como um pequeno exército com oficiais, suboficiais e soldados de tropa.
Estão treinados e abastecidos com armas que chegam da Albânia, e suas fileiras foram engrossadas com a chegada do exterior de jovens voluntários kosovares dispostos a "morrer pela pátria".
Antes da intervenção da Otan, ele controlava quase 50% de Kosovo e, em 1998, um relatório oficial da diplomacia americana o classificou de uma organização terrorista.
Quando começaram os ataques aéreos da Otan, as forças de segurança iugoslavas os expulsaram até os bosques ou além da fronteira com a Albânia.
Mas agora os sérvios estão em retirada, os membros do ELK retornaram,.sobretudo na zona de Pristina, e pedem entre outras coisas a saída das tropas russas que chegaram a Kosovo e que se instalaram na zona do aeroporto da capital kosovar.
Hashim Thaqi, o líder do ELK, declarou que não tem intenções de depor as armas.
"O acordo envolve apenas os grupos militares e paramilitares, mas nós somos um exército regular", argumentou.





