ELK faz recrutamento em países europeus Do correspondente REALI JÚNIOR
Paris, 07 (AE) - Depois de ter sofrido enormes baixas na sua luta contra os soldados sérvios em Kosovo, dirigentes da guerrilha ELK, Exército de Libertação de Kosovo, estão lançando um apelo aos homens de origem albanesa de 18 a 54 anos, recrutando combatentes entre os refugiados.
O apelo estende-se ainda à diáspora albanesa nos países europeus, principalmente na Suíça e na Alemanha. Ínibus têm sido fretados nesses países para levar numerosos voluntários para o norte da Albânia, onde estão alguns campos de treinamento para uma preparação militar de apenas dez dias, antes de entrar em ação.
Um trabalho está sendo feito também junto aos refugiados em Kukes, na Albânia, onde membros do ELK procuram convencer os que se encontram em boas condições físicas a aderir à guerrilha. Convencê- los não tem sido muito difícil em razão do clima emocional atual e do desejo de vingança dos albaneses do Kosovo, depois das ações dos soldados e policiais sérvios contra famílias albanesas.
A reorganização da guerrilha do ELK está recebendo forte apoio logístico dos países da aliança, além de armas e munições. Até agora, a guerrilha estava equipada com armamentos leves e um sistema de comunicação deficiente, formado por aparelhos celulares via satélite, facilmente controlados pelo inimigo. Essa guerrilha não tinha capacidade suficiente para enfrentar as forças policiais e militares sérvias, segundo revelou um de seus principais representantes Ilaz Ramjli, em Tirana, capital da Albânia.
Antes financiados pelo narcotráfico, agora os combatentes começam a receber um equipamento leve, mas muito mais sofisticado. Só os EUA estariam dispostos a fornecer, muito rapidamente, US$ 20 milhões em armas. O problema maior é o de assistência técnica para elas, que teria de ser fornecida por técnicos dos países da aliança. Mas, para isso, eles precisariam estar mais próximos do teatro das operações ou pelo menos nos campos de treinamento do ELK, um passo a mais no envolvimento direto dos soldados da Otan no conflito.
O ELK está em plena fase de reorganização. Seu comando militar é exercido por Sulejman Selimi, conhecido por Sultão. Ele divide responsabilidades com o seu negociador em Rambouillet, Hashim Thaçi, ou Serpente. O movimento, de origem marxista, luta para "defender os filhos desse povo maltratado", como eles mesmo se definem.





