Londres - A rainha Elizabeth II da Inglaterra, cujo reinado completa 50 anos hoje, é uma das mulheres mais conhecidas do mundo e, no entanto, continua sendo um mistério para seus próprios súditos, apesar de recentes biografias revelarem uma personalidade mais complexa do que parece.
Aos 75 anos de idade, a rai© nha dedica a maior parte de sua existência a encarnar a monarquia britânica com rigor e sentido de dever. Seja recebendo um chefe de Estado, inaugurando um hospital ou saudando uma multidão em uma aldeia de Zâmbia, Elizabeth II jamais abandona sua atitude de decoro ou seu sorriso.
A vida da rainha, que não se parece em nada com um conto de fadas, está pautada pela leitura dos relatórios diplomáticos e das leis às quais deve colocar o selo real, ou de sua abundante correspondência.
Trabalhadora infatigável, a rainha realiza todos os anos cerca de 50 compromissos oficiais, em seu país ou no exterior.
Sua enorme fortuna pessoal faz com que seja uma das mulheres mais ricas do mundo, mas, apesar disso, Elizabeth não é dada ao esbanjamento e chega a controlar que as luzes sejam apagadas à noite, assim como as velas dos candelabros depois do jantar.
Por causa da pressão da opinião pública, reduziu os gastos do Buckingham Palace e, fato histórico, em 1992 aceitou pagar impostos como qualquer cidadão.
Apesar de todas essas informações e de ser possível ver seu rosto nas cédulas, moedas e selos, os britânicos não conhecem a mulher que se oculta por trás da máscara hierática.
A rainha não concede entrevistas e biógrafos e jornalistas se vêm conformados a apenas pedir informações de pessoas mais próximas para tentar conhecer a ‘‘verdadeira Elizabeth’’.
Várias obras recentes informam sobre uma mulher mais divertida e inteligente do que as aparências mostram, uma mulher que imita com talento – e somente em particular – políticos e conselheiros, e que dá ao primeiro-ministro em exercício prudentes conselhos.
Nascida em 26 de abril de 1926, Elizabeth foi uma aluna mais aplicada do que brilhante. E ainda hoje prefere palavras cruzadas e romances policiais ao teatro ou a ópera.
Aos 21 anos, a jovem e bonita Elizabeth (até Churchill se confessou um tanto apaixonado por ela) casou-se com seu primo Philip. Um casamento por amor, apesar deste ter se dissipado com o correr dos anos e das infidelidades atribuídas ao príncipe consorte.
De sua mãe, a rainha-mãe Elizabeth, herdou a saúde de ferro, os conceitos da monarquia e um moderado gosto pela maternidade. Suas relações distantes com seus filhos (Charles, Anne, Andrew e Edward) são notórias. A única paixão pública da rainha diz respeito aos cavalos, seu tema de conversa favorito. Sabe-se também que gosta muito de cachorros. A rainha prefere os animais às pessoas, garantem alguns de seus colaboradores.
A morte da princesa Diana, em 1997, e a lentidão com que a rainha avaliou seu impacto na opinião pública reaviou a polêmica sobre o futuro de uma instituição monárquica evidentemente ultrapassada pelos acontecimentos.
Refúgio de estabilidade em uma família agitada por divórcios e escândalos, a rainha não parece disposta em absoluta a abdicar em favor de seu herdeiro. Muito menos aceitar a relação de Charles com Camilla Parker Bowles, que poderá se transformar num ‘‘quebra-cabeças’’ constitucional, caso ele seja rei.
Se sua saúde assim permitir, Elizabeth II poderá converter-se, dentro de dez anos, na segunda rainha da história britânica a comemorar 60 anos de reinado, depois da rainha Vitória.

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