Elias maluco reclama da falta de visitas
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sexta-feira, 20 de setembro de 2002
Lívia Marra<br> Agência Folha 
Rio de Janeiro - Dois advogados visitaram ontem pela manhã o traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, no Batalhão da Tropa de Choque da PM, onde ele está preso. Segundo um dos advogados, Alberto Santos Pereira, ele divide a cela com o traficante Marco Antônio da Silva Pereira, o Marquinho Niterói.
O advogado identificou a cela como uma ''jaula''. Segundo ele, que também defende o traficante Márcio Macedo, o Gigante, Elias Maluco reclamou apenas da falta de visitas de familiares e do comportamento de um policial que levantou seu rosto para que fosse fotografado.
Cinegrafistas flagraram ontem um preso no pátio do batalhão, que seria Elias Maluco. A Secretaria da Segurança Pública não confirmou se ele tem autorização para banho de sol.
O traficante, acusado de assassinar o jornalista Tim Lopes, em 2 de junho, foi preso na manhã de anteontem no Complexo do Alemão, zona norte do Rio. Ele não resistiu à prisão. Interrogado no 1º Tribunal do Júri, disse que não era traficante. Disse ainda que não teve participação na morte do jornalista e que, no dia do crime, estava viajando.
Perverso e mau - O delegado Alcides Iantorno, titular da Delegacia de Roubos e Furtos do Rio, que participou da operação de busca a Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, disse que o traficante é ''um indivíduo perverso e mau''.
''O traficante não tem condição nenhuma de viver em sociedade. É como se ele fosse um animal feroz'', disse.
Para o delegado, Elias Maluco não tem chance de fugir. ''Ele tem grande chance de passar a vida na cadeia'', disse. O traficante responde a 12 processos e tem 11 mandados de prisão, a maioria por tráfico e homicídio.
Iantorno acredita na participação de Elias Maluco no assassinato de Tim Lopes. ''Ele dominava o morro e muitos traficantes eram subordinados a ele.'' O delegado afirmou que a prisão de Elias Maluco trará tranquilidade aos moradores do complexo. ''A maioria das pessoas que moram no morro são boas. Elas moram ali por questão de salário. Ele vinha aterrorizando os moradores'', afirmou.


