Miami, 22 (AE-AP) - Agentes federais tiraram à força, pouco antes do amanhecer de hoje (22), Elián González da casa de seu tio-avô em Miami. Eles lançaram gás lacrimogêneo para dispersar uma irada multidão enquanto levavam o assustado menino cubano de seis anos para ser reunido com seu pai.
Mais de 20 agentes em vários furgões brancos chegaram à casa em Little Havana por volta das 5 horas (horário local), derrubaram uma cerca e arrombaram a porta da frente. Com roupas de camuflagem, os agentes vasculharam a casa e encontraram Elián escondido num armário com a tia-avô e Donato Darlymple, um dos pescadores que o resgataram do mar em 25 de novembro último.
Então, um agente em uniforme antimotim apontou um fuzil para Donato, que tinha nos braços o amedrontado menino, uma imagem registrada por um fotógrafo da Associated Press. Os federais arrancaram o menino dos braços de Donato.
Pouco depois, um homem e uma mulher saíram da residência com Elián e o colocaram em um dos furgões, que partiu em alta velocidade.
Maria Elena Qesada, que estava na casa, disse que, ao ser pego
Elián gritava: "Ajudem-me, ajudem-me, não deixem que me levem", em espanhol.
Por volta das 6 h, Elián já estava num avião do governo dos Estados Unidos a caminho da base aérea de Andrews, arredores de Washington, onde reuniu-se com o pai, Juan Miguel González.
Juan Miguel, segundo uma autoridade, foi informado sobre a operação assim que o menino encontrava-se seguro e recebeu instruções para dirigir-se para a base de Andrews.
Elián não sofreu ferimentos e recebeu assistência psicológica de um médico do governo antes de entrar no avião, disse a autoridade, que pediu para não ser identificada. No avião estava a agente que saiu com Elián da casa, um psicólogo, um cirurgião de vôo e o agente de imigração que comandou a operação.
A secretária de Justiça, Janet Reno, defendeu o uso da força para o resgate de Elián. "Até o último momento tentamos conseguir uma solução negociada", mas durante semanas e meses a disputa pela custódia do menino estendeu-se e "para os familiares de Miami nada era suficiente".
"Eu informei às partes que o tempo estava acabando", disse Reno. Ela informou que houve uma rodada de negociação que durou toda a noite e terminou com a tomada do garoto pouco antes do amanhecer.
Ela afirmou que o governo "dará todos os passos necessários" para garantir que o menino cubano de seis anos não deixe os Estados Unidos com seu pai até que seja resolvida a batalha judicial sobre sua custódia. Segundo autoridades, Elián e o pai permanecerão, temporariamente, na base aérea.
"Elián está a salvo e ninguém foi ferido gravemente", garantiu a secretária.
Ela disse que oito agentes permaneceram na casa do tio-avô, Lázaro González, por apenas três minutos. Uma agente conversou com Elián em espanhol enquanto o tirava da casa.
Doris Meissner, comissári do Serviço de Imigração e Naturalização, afirmou que a mensagem dita pela agente a Elián - e preparada com antecedência - foi: "Isto pode ser muito amedrontador. Logo, logo tudo estará melhor". Ela disse ao garoto que ele estava sendo levado para seu "papa".
Kendall Coffey, um advogado dos familiares de Miami, afirmou que "estamos com raiva e enojados. Estávamos em contato com o mediador que tratava das negociações com o governo quando eles arrombaram a porta".
Foi um rápido e violento desdobramento na disputa internacional pela custódia do menino resgatado na costa da Flórida quase cinco meses atrás. Seus parentes de Miami tentavam manter a custódia temporária que receberam em novembro, enquanto o governo dos EUA buscava reuni-lo com o pai.
"Assassinos", gritavam alguns dos cerca de 100 manifestantes reunidos em torno da casa do tio-avô em Little Havana, muitos dos quais tentaram impedir que os agentes saíssem com Elián.
Cerca de uma hora depois da operação, a multidão em volta da casa em Little Havana já era de cerca de 300 pessoas. Várias tentaram rasgar e queimar uma bandeira americana. Não foi registrado nenhum ferido grave.
Em Havana, cubanos choraram de felicidade ao tomarem conhecimento da retirada de Elián. Em uma declaração oficial divulgada por rádios, o governo cubano pediu a seus cidadãos para manterem a calma e evitar manifestações públicas.

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