Elian afirma em entrevista não acreditar na morte da mãe
Miami, 27 (AE-AP) - Ao mesmo tempo em que os parentes de Elián Gonzalez anunciavam que iram recorrer da decisão judicial que aceitou o pedido do Departamento de Justiça para que o menino cubano seja devolvido a Cuba e à custódia paterna o mais rápido possível, Elián afirmava hoje (27) numa entrevista pela televisão lembrar-se do naufrágio do barco que o conduzia a Miami junto com a mãe, que morreu no acidente, mas disse não acreditar que ela tenha morrido.
E em mais um desdobramento, cerca de 100 membros do Movimento Democracia, de exilados cubanos, cercaram a casa do tio-avô de Elián, onde ele está hospedado desde sua chegada, conclamando a população a formar uma corrente humana a fim de impedir que as autoridades consigam retirar o menino de seis anos.
Em aparente tentativa de incentivar o apoio americano à manutenção do menino cubano nos EUA, seus parentes em Miami permitiram que ele desse uma entrevista a um programa de grande audiência, o "Good Morning America" da ABC News, divulgado hoje.
Nele, Elián disse lembrar-se que sua mãe o colocou sobre uma câmara de pneu, e que em seguida ele desmaiou, sendo resgatado por pescadores no litoral da Flórida, enquanto sua mãe e outras dez pessoas morriam no naufrágio. O menino, porém, disse não acreditar que sua mãe esteja no céu: "Ela deve ter conseguido chegar a Miami, mas deve ter perdido a memória, e por isso não sabe que eu estou aqui", acrescentou Elián.
Em Washington, fontes do Departamento de Justiça ligadas ao caso confirmaram que os advogados da família de Elián terão até 3 de abril para preparar o novo recurso e apresentá-lo perante o tribunal.





