São Paulo, 04 (AE) - A Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros) quer que o governo invista na negociação de acordos com os países da América do Sul para garantir para as exportações brasileiras as mesmas condições obtidas pelo México, além de atrair para o Brasil fabricantes de componentes para esses produtos. Com a produção nacional de componentes, querem transformar o Brasil em plataforma de exportação para a América do Sul, tanto de peças como de produto acabado, tirando o setor do déficit atual de US$ 1,8 bilhão para um superávit de US$ 1,5 bilhão em 2002.
Incrementar as exportações é a única maneira de reduzir a capacidade ociosa da indústria nacional, hoje em torno de 50%, de acordo com o presidente do conselho de administração da Eletros, Nelson Wortsman. "Precisamos da ajuda do governo para garantir igualdade de condições para a exportação de produtos brasileiros", diz. Para ele, a redução do mercado consumidor nacional, depois da explosão nos anos 96/97, aliada à desvalorização do real este ano, "pode transformar-se numa grande oportunidade de exportação".
Em toda a América do Sul, segundo o diretor da Eletros, somente Brasil e Argentina possuem empresas montadoras de eletroeletrônicos. Os outros países são abastecidos por importações provenientes do México. Wortsman diz que os produtos fabricados no México pagam menos imposto de importação do que os brasileiros na maioria dos países sul-americanos.
Na Venezuela, por exemplo, o México paga apenas 34% do imposto de importação atualmente e passará a ter isenção total no próximo ano, enquanto os produtos brasileiros pagam o imposto integral. O México, segundo ele, serve como base de produção da maioria das empresas norte-americanas. Na linha branca, a situação brasileira é mais favorável e o País já exporta de 15% a 20% da produção.
Um estudo da Eletros, apresentado ao governo no Fórum de Competitividade do Ministério do Desenvolvimento, coloca a indústria brasileira como potencial exportadora de 40% do mercado sul-americano de TVs e monitores de computadores. A Eletros também quer participar do processo de atração de fornecedores de componentes, hoje importados. Os empresários querem que o governo mantenha o mercado aberto, para garantir a competitividade. "Não podemos proteger o mercado para esses fabricantes, mas obrigá-los a fornecer por preços internacionais", diz o diretor da Eletros.
O primeiro passo nessa direção será a instalação no País de uma fábrica de cinescópios para TVs de tela grande e CDT (tubos para monitores de computador). Atualmente, existem dois fabricantes de cinescópios, Philips e Samsung, que produzem o componente para TVs de 14 e 20 polegadas. Para atrair o novo fornecedor, já existe a promessa do governo de financiar a instalação da fábrica, com investimento de US$ 500 milhões, e um consórcio formado por CCE, Philco e Gradiente, que se comprometeram a comprar a peça do novo fornecedor.
"A substituição das importações pelo componente nacional se dá naturalmente, se o preço for o mesmo, porque é muito melhor ter o fornecedor próximo", diz Wortsman. A Eletros defende a atração de fabricantes dos componentes críticos para o setor - cinescópios de tela grande, semicondutores, magnéticos, mecanismos de CD e SMD (circuitos eletrônicos).
Atualmente, a importação desses componentes soma US$ 1,4 bilhão. A proposta da entidade prevê não apenas a substituição de parte dessa importação (no valor de US$ 1,19 bilhão), como a produção de um excedente para exportação, que somaria outro US$ 1 bilhão.

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