Eletros pede igualdade de condições nas exportações para andinos
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quarta-feira, 09 de junho de 1999
Por Marcia Furlan 
São Paulo, 10 (AE) - O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Paulo Saab, alertou hoje que as exportações brasileiras de eletroeletrônicos poderão ser prejudicadas caso sejam mantidas as atuais condições propostas no acordo transitório de comércio com a Comunidade Andina (CAN). O acordo, que deve estar concluído até o final de junho, estabelece redução por parte do Brasil de em média 40% nos impostos de importações de produtos vindos do Peru, Equador, Venezuela e Colômbia, enquanto os nacionais não têm nenhum desconto no caminho contrário. Está marcada para o próximo dia 21 a última rodada de conversações, em Brasília, entre os representantes dos cinco países.
Hoje, segundo os acordos bilaterais fechados no âmbito da Aladi (Associação Latino-Americana de Integração), o Brasil concede desconto de em média 28%, mas não recebe vantagens na maior parte dos produtos. A Eletros elaborou uma proposta alternativa, pela qual os aparelhos de ar-condicionado, alguns modelos de lavadoras de roupa e vitrines de refrigeração tivessem um desconto de 50% para ingressar em qualquer um dos cinco países. Os demais itens teriam livre comércio (sem taxação).
Atualmente, apenas 5% das exportações brasileiras do setor destinam-se aos quatro países vizinhos, o que representava R$ 15 milhões em 1997. A Eletros avalia que, se sua proposta for aceita, este percentual pode chegar a 35%, o que totalizaria R$ 210 milhões. Saab acredita que as alterações irão incrementar a produção nacional, com impacto na geração de emprego. Ele estima que possam ser criados entre 850 e 2.100 novas vagas. Hoje, o setor emprega 51 mil pessoas em todo País. No ano passado, o faturamento global das indústrias de eletroeletrônicos foi de R$ 11 bilhões, 20% menos que em 1997. Em maio, as vendas também ficaram 20% abaixo que o mesmo mês de 1998.
O acerto transitório terá duração de um ano, período em que deve ser elaborado o acordo efetivo entre a Comunidade Andina e o Mercosul. Em abril, o Brasil decidiu fechar um acordo particular com os países andinos, em função das dificuldades dos países do Mercosul em negociar. A Bolívia é o quinto país integrante da CAN, mas também fez negociações isoladas com o bloco.
Triangulação - A Eletros adverte ainda para a situação desfavorável do Brasil com relação ao México no comércio com a CAN. O País é o maior fornecedor de eletroeletrônicos para a CAN
junto com os Estados Unidos, e a partir de julho terá abatimento de até 60% nos impostos de importação. Hoje o desconto é de 48%. Na avaliação da assessora de Comércio Exterior da Eletros, Eliana Guimarães, este fato abre espaço até para que os produtos mexicanos passem pelos países andinos para serem "mascarados" e acabem entrando no Brasil, servindo-se das vantagens conferidas pelo acordo transitório. "Corremos o risco ainda da triangulação", afirmou.


