Rio, 23 (AE) - A Eletronuclear, operadora da usina Angra 1, tem dez dias para apresentar um plano de análise do suposto risco ambiental de um depósito provisório de 2.100 toneladas de rejeitos radioativos no complexo nuclear de Angra dos Reis, RJ. Hoje o secretário de Meio Ambiente do Estado, André Corrêa, vistoriou a usina e encaminhou intimação administrativa à empresa, cobrando a contratação de uma agência "independente" para fazer a análise.
Corrêa também cobrou a apresentação de um relatório sobre a estabilidade geológica do local onde o lixo nuclear está estocado, que deverá ser feito por uma equipe de técnicos da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O superintendente de Relações Institucionais da Eletronuclear, Luiz Soares, já se mostrou favorável à escolha da Agência Internacional de Energia Atômica, com sede em Viena, para a realização da análise. Segundo ele, o depósito provisório "apresenta todas as condições de segurança" para funcionar.
A procuradora da República Anaiva Cordovil, que instaurou um inquérito civil público para investigar as suspeitas de irregularidades no depósito de lixo atômico, pediu informações à Eletronuclear , ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e à Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema) sobre o licenciamento ambiental da usina Angra 1. "Depois disso, vou analisar o caso e definir quem vou ouvir", disse.
O Ibama fará inspeção no complexo nuclear para avaliar o impacto do depósito provisório - a medida da faz parte do processo de licenciamento ambiental das usinas Angra 1 e 2, que deverá ser inaugurada em abril. O prefeito de Angra, José Marcos Castilho (PT) cobra uma definição da política para a criação de depósitos definitivos de rejeitos. Ele é contra a manutenção do lixo nuclear na cidade.
De acordo com a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), o depósito "tem aval para funcionar". Segundo a Cnen, órgão fiscalizador do governo, não há licença ambiental para o funcionamento do galpão porque ele teria sido construído em 1980
antes da criação da atual legislação ambiental. A Cnen é responsável pelo destino dos rejeitos nucleares no País, mas o projeto-lei nº189/91, que regulamenta o processo de construção de depósitos definitivos para o lixo nuclear, está parado no Congresso Nacional.

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