Eletronuclear nega problemas de segurança em Angra 1
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segunda-feira, 29 de novembro de 1999
Por Felipe Werneck 
Rio, 29 (AE) - O reator nuclear da Usina Angra 1 foi desligado por 24 horas na semana passada, a partir das 16h de quarta-feira. De acordo com a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), órgão fiscalizador do governo federal, é a 10.ª interrupção não-programada ocorrida desde o início do ano - a meta é de um desligamento por ano.
A Eletronuclear, operadora da usina, afasta a hipótese de problema de segurança na manutenção da central, localizada em Angra dos Reis, no litoral sul do Rio, e afirma que o desligamento automático ocorreu em consequência de problemas externos à usina. "Chovia muito e houve um problema nas linhas de transmissão Angra-São José e Grajaú- Angra", afirmou o diretor de Operações da Eletronuclear, Pedro Figueiredo. "Já houve casos semelhantes e estamos investigando o que ocorreu, porque não é normal uma tempestade causar o desligamento."
A Assessoria de Furnas Centrais Elétricas confirma a versão apresentada pela operadora. De acordo com análise preliminar preparada por técnicos de Furnas, a interrupção foi causada "provavelmente por uma descarga atmosférica".
De acordo com o físico Luiz Pinguelli Rosa, vice-diretor da Coordenação de Programas de Pós Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), as interrupções provocam "tensões excepcionais" no combustível nuclear. "O desligamento é um sintoma, porque o sistema está longe de operar em perfeição, mas o governo não admite uma revisão." De acordo com o superintendente de Relações Institucionais da Eletronuclear, Luiz Soares, os desligamentos, decorrentes de distúrbios operacionais no sistema nacional de energia elétrica, podem diminuir o ciclo do combustível nuclear e causar prejuízo, mas "não afetam a segurança de Angra 1".
O físico José Leite Lopes - Prêmio Unesco de Ciência este ano - defende a criação de uma comissão independente para acompanhar o funcionamento de Angra 1, que produz cerca de 10% da energia total consumida no Estado do Rio, e a construção de Angra 2, que deverá começar a operar em fevereiro.
O presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, deputado Carlos Minc (PT), já pediu ao Ministério Público Federal o desligamento do reator de Angra 1, até que sejam esclarecidas as causas dos problema.
Prazo - O Ministério Público Federal (MPF) estabeleceu, na semana passada, um prazo de 30 dias para que a Eletronuclear troque as sirenes de alerta à população, acionadas no caso de acidente nuclear. Se isso não ocorrer, o MPF vai entrar com ação pedindo a interdição da usina, em funcionamento desde 1986. A medida está no relatório preparado pelo procurador da República Daniel Sarmento, que no dia 11 acompanhou o Exercício Geral de Emergência da Central Nuclear de Angra. Ele constatou que, durante o exercício, o alarme não foi ouvido em vários pontos de Angra dos Reis, as chamadas "zonas de sombra".
A sirene indica o início imediato da saída da cidade. "Não ouvi nada e, a essa altura, já estaria contaminado", disse ao Estado, depois do exercício, o aposentado Luiz Carlos de Andrade, que andava de bicicleta na Praia do Frade na hora do teste. Para o prefeito de Angra, José Marcos Castilho (PT), a prioridade é o conserto da estrada Rio-Santos (BR-101), que há anos está em estado de abandono. "Se ocorrer um acidente, não poderemos retirar a população por terra", disse.


