Brasília, 11 (AE) - Antes de ser privatizada, a Eletronorte poderá ser dividida em seis empresas, que passarão a reunir as distribuidoras estaduais de energia da Amazônia. A nova modelagem de privatização, elaborada pela Universidade de São Paulo (USP) a pedido da Eletrobrás, prevê que o governo terá receita apenas com a venda da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, no Pará. Nas demais empresas, o valor arrecadado com a privatização seria transferido para um fundo para financiar a expansão do setor elétrico na região.
Esta proposta, apresentada hoje pelo presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio, na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, ainda está sendo analisada pelo Conselho Nacional de Desestatização (CND). O conselho se reúne amanhã, mas não há garantia de que o assunto seja logo aprovado. Com esta nova modelagem, Sampaio admitiu que a privatização das empresas não deverá ocorrer este ano. "O tempo é muito exíguo para a preparação da privatização ainda este ano", afirmou.
A idéia da venda separada dos ativos da estatal visa, segundo o modelo apresentado, garantir investimentos suficientes em cada uma das empresas. De acordo com Sampaio, se a Eletronorte fosse vendida inteira, como chegou a ser pensado inicialmente, os investidores concentrariam sua atenção apenas na área de Tucuruí, ficando o restante relegado a um plano secundário.
Por isto, a Eletrobrás pretende privatizar Tucuruí separadamente, incluindo no contrato de concessão a obrigação de conclusão da segunda etapa da usina. A receita de privatização da usina será transferida integralmente para o Tesouro Nacional.
Na nova modelagem, a Eletrobrás pretende vender em um só bloco as empresas de distribuição de energia do Acre (Eletroacre), de Rondônia (Ceron) e os ativos da Eletronorte nos dois Estados. Para a privatização, seria criada uma nova holding chamada Eletro-Oeste. Outra idéia é reunir em uma mesma empresa, chamada Roraima Energia, a Companhia de Eletricidade de Roraima (CER) e a Boa Vista Energia, que atende a capital.
O mesmo modelo seria adotado no Amazonas e no Amapá. No primeiro caso, se reuniria em uma holding a Manaus Energia e a Companhia de Eletricidade do Amazonas (Ceam). No Amapá, a Companhia de Eletricidade do Amapá, seria reunida com os ativos da Eletronorte no Estado na holding Amapá Energia. Seria constituída ainda a Empresa Transmissão do Norte do Brasil, que passaria a administrar as linhas de transmissão da região e permaneceria estatal.
Para garantir o investimento nos Estados e nas novas empresas pela iniciativa privada, foi criado o conceito de "privatização com desenvolvimento auto-sustentado". Por este modelo, os ativos existentes passariam a constituir uma participação estatal de 49% em uma nova empresa. Os demais 51% seria vendidos para a empresa privada que oferecer maior ágio sobre o preço mínimo.
A receita de venda seria transferida para um fundo que garantirá os investimentos na expansão do setor elétrico na região. Depois que as empresas regionais estivesse consolidadas, Sampaio admite que o governo poderia vender sua participação de 49%.

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