Eletroeletrônicos tem déficit de US$ 910 mi no primeiro bimestre
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quinta-feira, 06 de abril de 2000
Por Paula Puliti 
São Paulo, 07 (AE) - A balança comercial do setor eletroeletrônico encerrou os primeiros dois meses do ano com déficit de US$ 910 milhões, resultado de vendas equivalentes a US$ 590 milhões e compras de US$ 1,5 bilhão. Só em fevereiro as exportações cresceram 74% sobre o mesmo mês do ano passado, para US$ 335 milhões. Segundo a Abinee (Associação Brasileira da Indústria Eletroeletrônica), o valor é o segundo maior registrado do setor, perdendo apenas para dezembro do ano passado, quando as vendas totalizaram US$ 346 milhões.
Na ponta das compras, houve crescimento de 23% sobre fevereiro de 1999, para US$ 784 milhões, incremento significativo quando comparado ao aumento de janeiro, que foi de apenas 3% em relação a janeiro de 1999.
Apesar do acentuado aumento das importações, o Departamento Econômico da Abinee projeta um crescimento de apenas 5% nas compras a partir do Exterior neste ano, ante incremento de 15% a 20% nas vendas. Ainda assim, a previsão é de que o setor, tradicionalmente deficitário, mantenha-se no vermelho. O aumento das importações no primeiro bimestre, sobretudo em fevereiro, refletiu a recuperação da demanda no mercado interno, o que tem exigido mais investimentos para permitir a modernização do setor e incremento da oferta.
Os produtos que registraram maior aumento nas vendas externas foram os do segmento de telecomunicações, com incremento de 595% sobre o primeiro bimestre do ano passado, passando de US$ 23 milhões para US$ 158 milhões. Dentro do segmento, os telefones celulares puxaram as exportações, com US$ 113 milhões do total vendido. A maioria dos produtos de telecomunicações exportados, segundo a Abinee, são aqueles fabricados pelas empresas estrangeiras que se instalaram no País nos últimos anos, com a privatização do setor de telecomunicações. E com a desvalorização do real, o produto brasileiro tornou-se mais competitivo no mercado internacional, segundo análise do Departamento Econômico da Abinee.
No setor, também tiveram alta as exportações de informática (39%), material elétrico de instalação (39%), componentes elétricos e eletrônicos (37%), utilidades domésticas (34%) e equipamentos industriais (25%). Registraram queda nas exportações os produtos de automação industrial (-3%) e GTD (-2%).
Os produtos de maior impacto nas importações no primeiro bimestre foram semicondutores (US$ 234 milhões), componentes para telecomunicações (US$ 173 milhões) e para informática (US$ 124 milhões).


