Eletrobrás terá parceiro privado para criar empresa de telecomunicações
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quinta-feira, 04 de fevereiro de 1999
Por Gustavo Paul e José Ramos 
Brasília, 03 (AE) - A Eletrobrás quer escolher ainda em fevereiro um parceiro privado para criar uma empresa de telecomunicações, que utilizará os 45 mil quilômetros de linhas de transmissão da estatal. O objetivo é disponibilizar as milhares de torres e cabos de fibra ótica já existentes, que somam um patrimônio de cerca de US$ 1 bilhão, para transmissão de dados e telefonia. O presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio, quer promover, se possível já na próxima semana, um leilão na sede da empresa para decidir qual será o sócio escolhido.
A autorização para iniciar as negociações foi dada na semana passada pelo Conselho Nacional de Desestatização (CND). A definição da data do leilão, que terá a assessoria da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, depende apenas de detalhes jurídicos. "Temos pressa", afirmou Sampaio, que já vem recebendo consultas de várias empresas do setor de telecomunicações. Nesta sociedade, a Eletrobrás terá no máximo 49% das ações.
Segundo Sampaio, o ideal seria formar parcerias com as empresas de energia Bandeirantes e Metropolitana, Cemig, Copel, Light e Embratel. "Enquanto a Eletrobrás tem as linhas de transmissão nacionais, as demais podem chegar aos centros de maior consumo"
disse. O presidente da Eletrobrás deixou claro que não poderá haver exclusividade de qualquer operadora para uso das linhas de transmissão. "Nossos sócios poderão ter prioridade para transmitir dados e voz, mas a exclusividade é proibida por lei"
ressaltou.
A Bonari, empresa formada pelas operadoras Sprint e France Telecom, além da britânica National Grid, que vai ser a concorrente da Embratel em ligações de longa distância nacional, chegou a fazer uma proposta concreta de negócio para a Eletrobrás. "Não poderíamos fechar um acordo apenas com a Bonari, sem ouvir as propostas de demais interessados", disse Sampaio. O sócio, que poderá ser mais de uma empresa, será quem oferecer mais pelo direito de explorar as linhas. "Será nosso parceiro aquele que agregar mais valor aos nossos ativos", afirmou.
Para formar esta empresa, a Eletrobrás não terá que desembolsar qualquer investimento. "Já temos toda a infra-estrutura instalada", explicou Sampaio. A rede de linhas de transmissão da Eletobrás atinge todo o País, sendo que apenas o Linhão Norte-Sul, que será inaugurado nas próximas semanas e liga o sistema elétrico das Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste ao Sistema Norte e Nordeste, tem 1,2 mil quilômetros de fibras óticas.
A possibilidade de utilização deste potencial de transmissão é tida como essencial para as operadoras de telecomunicações, que poderão explorar ligações de longa distância dentro de suas áreas de concessão. Caberá ao sócio privado investir na instalação de novos cabos de fibra-ótica e na interconexão com as redes de telecomunicações. A proposta da Bonari envolvia a instalação de 15 mil quilômetros de fibras óticas, o que representaria um investimento de R$ 500 milhões.
"A utilização das torres de alta tensão de 45 metros de altura é mais segura e barata para as operadoras", disse Firmino Sampaio. A infra-estrutura de rodovias e ferrovias está mais sujeita a problemas como grampos ou sabotagem e a construção de uma nova rede de transmissão implicaria em grande investimento. "Estas linhas poderão levar até a redução de custos para as empresas, que podem levar até a redução de tarifas", avaliou o presidente da estatal. "Queremos ser competitivos." Sampaio também ressaltou que a participação da Eletrobrás na empresa poderá ser privatizada no futuro, caso o CND decida pela venda das linhas de transmissão de energia estatais.


