Brasília, 06 (AE) - A Eletrobrás não pretende concorrer com a Embratel no setor de transmissão de dados e voz por fibra ótica, mas quer tornar suas linhas de transmissão disponíveis para que empresas privadas passem a operá-las. A afirmação foi feita hoje pelo presidente da estatal, Firmino Sampaio, que não descartou a possibilidade de até ter a Embratel como sócia da Eletronet, uma sociedade entre a estatal e a iniciativa privada, para construir uma rede de telecomunicações sobre os 45 mil quilômetros de linhas de transmissão de energia.
"Nós não seremos operadores e nem temos esta pretensão", afirmou Sampaio, em resposta às críticas feitas na quarta-feira pelo presidente da Embratel, Dílio Penedo, de que a presença de uma estatal no setor de telecomunicações representaria uma concorrência predatória para as empresas recém privatizadas do Sistema Telebrás.
"Não seremos nunca concorrentes da Embratel, pois estamos apenas disponibilizado nossos sistemas de transmissão para que as tarifas de transporte de dados possam ser tarifas cada vez mais baratas", disse o presidente da Eletrobrás.
Segundo ele, não haverá restrição à participação de qualquer empresa privada na escolha do parceiro da Eletrobrás no negócio. "Nós queremos encontrar operadoras que possam usar um serviço que entendemos que é interessante e que possa ser desenvolvido por qualquer um, desde que este operador não tenha contestação da agência reguladora", afirmou, referindo-se à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Sampaio considera normais as críticas feitas pela Embratel, comprada no ano passado pela americana MCI, que também entrou com uma reclamação formal junto à Anatel esta semana. "Ele está no seu papel de valorizar a empresa que dirige e nós estamos no papel de dirigente de uma estatal, buscando agregar valor para esta empresa, entendendo que assim estamos valorizando o bem público", afirmou.
De acordo com o presidente da estatal, os ativos de transmissão da Eletrobrás não foram constituídos por empresas de telecomunicações e a legislação permite que sejam usados de forma compartilhada entre empresas privadas.
No entender da Eletrobrás, além de valorizar mais a estatal, a função da Eletronet será incentivar a competição no setor de transmissão da dados e voz. "Nós temos a pretensão de valorizar nossos ativos de transmissão como suporte para o desenvolvimento de novos negócios e consequentemente aumentar a concorrência no setor de telecomunicações", disse Sampaio.
Ainda não existe uma data para a publicação do edital para licitação que escolherá o parceiro da Eletrobrás. "Para contornar obstáculos desta natureza é que estamos tendo um cuidado redobrado para fazer este edital", disse Sampaio. "Já tivemos algumas dificuldades iniciais com a Lightpar, o que nos faz agir com muita prudência", afirmou. O anúncio da nova empresa levou a uma supervalorização de 1.300% das ações da Lightpar, que levantou suspeitas sobre vazamento de informações.

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