Eles trabalhavam ilegalmente no país
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quarta-feira, 07 de julho de 1999
Por Renan Antunes Oliveira 
KEARNY, EUA, 08 (AE) - Valdomiro Luz e Neusa dos Santos nunca se conheceram, mas trilharam caminhos parecidos. Estavam desempregados, em fevereiro, quando decidiram tentar a sorte nos Estados Unidos, saindo do Brasil para Newark, em New Jersey.
Neusa queria juntar dinheiro para abrir uma confecção. Valdomiro, uma lanchonete. Ela trabalhou ilegalmente como faxineira. Depois, numa fábrica de massas e como dançarina na boate Doctor Cave, a US$ 90 por noite.
Ele também era ilegal. Trabalhava numa construtora brasileira que faz obras para o governo norte-americano.
Neusa morreu sozinha numa pensão. Seus pertences eram algumas peças de roupa e uma frasqueira com dúzias de tipos de esmalte, um vidro de Leite de Rosas e três sabonetes Yardley. Tinha 90 notas de um dólar - enroladas uma a uma, como estão quando os clientes das boates as põem na roupa das dançarinas. Valdomiro só tinha uma muda de roupa, a mesma com que veio do Brasil e os amigos o vestiram no caixão: calça cinza, camisa xadrez e um casaco de lã.


