Representantes contrários à inclusão de gênero no PEE paranaense se valem do apoio popular. O pastor e deputado estadual Gilson de Souza (PSC) tomou a frente da guerra contra a "ideologia de gênero" na Assembleia Legislativa. "Por mais de um mês trabalhamos para aprovar o PEE sem a presença de temas contrários à família", comemora.
O deputado informa que a luta contra a ideologia de gênero seguirá uma das bandeiras da Frente de Defesa à Vida e Família, formada por 17 parlamentares. "Nós vamos acompanhar para que o conteúdo passado aos nossos filhos não seja ofensivo", adianta. De acordo com a corrente contrária às referências no PEE, existia o risco de erotizar e doutrinar sexualmente as crianças, ignorando aspectos biológicos que determinam que menino é menino e menina é menina.
Diante das acusações de "terrorismo" ou "pânico moral", o deputado diz considerar uma resposta dos ativistas à intenção de preservar a família. "O que eles querem é fazer uma promoção da homossexualidade. É claro que essas pessoas têm seus direitos precisam ser respeitadas, mas o pai também tem o direito de ensinar os filhos em casa. Não é papel da escola", opina.
A pressão contra a ideologia de gênero também foi forte na Igreja Católica. O arcebispo metropolitano de Curitiba, dom José Antônio Peruzzo, convocou os fiéis para as sessões que aprovaram os planos estadual e municipal da Capital. Em carta encaminhada aos fiéis, o arcebispo considerou que as crianças poderão sofrer grave violência em suas identidades sob influência de um pensamento em que "ninguém nasce como homem ou mulher, mas que cada ser humano deve construir sua identidade sexual ao longo da vida, contrariando o próprio corpo, a biologia". Ele avaliou a questão de gênero como afronta aos princípios da família, à identidade biológica e até mesmo à ordem filosófica da nossa sociedade.
Nas principais cidades do Estado, as comunidades religiosas marcaram presença nas Câmaras de Vereadores nas sessões de aprovação dos Planos Municipais de Educação (PME). Na maioria dos casos, a pressão surtiu resultado. No final de junho, o PME de Londrina foi aprovado em sessão tumultuada que durou mais de cinco horas e teve até beijo gay como forma de protesto. (C.F.)

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