São Paulo, 06 (AE) - Testemunhas reconheceram integrantes do bando de skinheads acusados de espancar até a morte o adestrador de cães Edson Neri da Silva, de 35 anos, pouco depois da meia-noite, na Praça da República, em São Paulo. Os skinheads são conhecidos pela doutrina nacionalista e pela aversão a negros, nordestinos e homossexuais. Os skinheads pertencem ao grupo Carecas do ABC. Os acusados negam ter participado do assassinato.
Duas testemunhas, que não pediram para não ser identificadas, contam que estavam conversando quando viram o grupo de skinheads se aproximar. "Eles pegaram a vítima pelo braço e foram rodeando, dando chutes. Os primeiros foram no estômago, depois no corpo todo. Ele ainda conseguiu correr para dentro da praça e chegou até o canteiro, onde caiu", contou uma testemunha. "Então três rapazes foram para cima da vítima e completaram o massacre. Eles foram embora e deixaram o cara lá, agonizando". Silva morreu ao ser levado para a Santa Casa de Misericórdia.
De acordo com as testemunhas, havia cerca de 30 pessoas na praça, que fugiram quando o ataque começou. Elas contam ser a terceira vez que acompanham agressão deste tipo no local, conhecido à noite como ponto de encontro de homossexuais e garotos de programa.
Arma - Os agressores foram encontrados pouco depois em um bar na rua 13 de Maio. Autuados em flagrante na 1ª DP, não quiseram dar nenhuma declaração, segundo o delegado assistente Antonio Carlos Araújo, que conseguiu apurar que eles pertencem ao grupo Carecas do ABC. "Eles disseram que só vão falar em juízo". Com os agressores foi apreendida uma arma conhecida como soco inglês, segundo Araújo usada no crime. Os agressores deverão ser transferidos para diversos distritos policiais.
Família - A família foi avisada do crime por Dário Pereira, que estava com Silva ontem à noite, contou a cunhada da vítima, Liliane Ferreira Fraga. Os dois teriam sido abordados pelo bando, mas Dário, depois de alguns golpes conseguiu fugir.
No Instituto Médico Legal, o pai da vítima, o desempregado João Gabriel Raulino, contou que o corpo do filho ficou completamente deformado, com lesões principalmente na cabeça. Segundo Raulino, Silva era muito atencioso e dedicado à família e negou informações de que ele fosse homossexual. "Espero que a Justiça deixe os assassinos na cadeia para o resto da vida", disse. O corpo será velado em Itapevi.

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