O coordenador da Comissão Universidade para os Índios da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Luis Antonio Norder, admite que os indígenas enfrentam dificuldades no início da vida universitária, mas, segundo ele, têm demonstrado grande capacidade de superação. ''De maneira geral eles são muito tímidos, alguns têm dificuldade de comunicação, não conseguem usar o tipo de linguagem que o grupo exige.'' O professor lembra que a maioria fala com calma e nunca interrompe o outro. ''Eles são extremamente educados, mas nem sempre têm o seu ritmo compreendido'', observa Norder.
Apesar deste comportamento que foge ao padrão, o professor ressalta que os indígenas têm capacidade ímpar de enfrentar os obstáculos e superá-los. ''Não tenho dúvida em dizer que alguns deles estão entre os melhores da universidade.''
Para Norder, um dos principais problemas do programa hoje é o valor repassado através de bolsa. Os R$ 270,00 a que cada índio tem direito é considerado insuficiente, principalmente para aqueles que são casados e têm que sustentar família. ''A bolsa foi concebida para estudantes sozinhos, como se tivessem acabado o segundo grau. Mas a realidade dos índios é outra, muitos entram na universidade já casados e com filhos. Este valor tem que ser revisto o mais rápido possível.''
Para o aluno do primeiro ano de jornalismo Osias Ramos Arnaud Sampaio, 36 anos, a universidade trouxe boas surpresas, mas ainda assim ele chegou a duvidar que conseguisse concluir o curso. ''Eu não tinha idéia de como seria a universidade, não sabia nem que tinha tantas áreas verdes.''
Para Osias, a convivência seria mais difícil. ''Mas os colegas e os professores são muito legais. Acho até que eu é que não estou conseguindo corresponder à altura.'' O universitário refere-se à timidez, que mescla-se à forte herança cultural. ''Os indígenas são um povo de hábitos simples. Às vezes tenho dificuldade de me ambientar.''
Osias revela: ''Quase sempre sinto como se estivesse invadindo o espaço das pessoas.'' Uma das formas de vencer estas dificuldades tem sido o convivívio com estudantes da mesma origem. Além de participar de um grupo de estudo com encontros semanais no Centro de Vivência Indígena, próximo ao Centro de Ciências Biológicas (CCB), ele e os colegas se reúnem uma vez por mês com coordenadores do Programa Universidade para os Índios.
Osias passou no vestibular no início de 2004, mas ficou em três disciplinas, que está cursando este ano. ''Estou achando meio difícil, mas está dando para levar'', garante. Ao todo, já ingressaram na UEL 12 alunos indígenas. Destes, dois trancaram matrícula.

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