São Paulo, 22 (AE) - A doméstica Leila dos Santos, de 20 anos, mãe de um menino de 2, bocejou na cadeira da galeria da Câmara Municipal de São Paulo, de onde assistia à sessão e largou o cartaz com a inscrição "Pitta fica". Por que estava ali, tão entediada? "Nem eu sei", afirmou. Leila mora em São Miguel Paulista e foi convidada por um vizinho a "ir à cidade descolar um emprego". "Foi um engano", constatou.
"Injuriada" por ter deixado os filhos em casa "sem motivo", Solange Maria da Silva, de 26, moradora do mesmo bairro, também confirmou que havia sido enganada. "Eles me prometeram um emprego", disse. "Quando chegamos, tinha uma porção de gente, falaram que era a fila para fazer ficha."
Solange subiu para a galeria depois de comer um sanduíche e beber refrigerante. "Aqui dentro disseram que a gente ia ouvir uma palestra."
Sentado logo na primeira fileira, com dois cartazes na mão, o funileiro desempregado Denilson Vieira de Aguiar, de 23 anos, 2 filhos, morador em Guaianazes, também revelou que um dos motivos de sua ida à Câmara era "uma frente de trabalho". O outro: "Quero que a justiça seja feita, que o Ministério Público investigue as denúncias e não que a Câmara simplesmente tire o Pitta", disse. "Ora, só tem ladrão aqui!"
Segundo Aguiar, em Guaianazes ninguém tem nada contra o prefeito. "Ele nunca ajudou mas também nunca nos prejudicou." Manifestante pró-Pitta pela terceira vez, ele chegou à conclusão de que não vale a pena o esforço. "Na saída, os perueiros quase nos lincharam."
"Não somos leigos nem burros!", gritou a auxiliar de enfermagem Carmen Condes da Silva, de 29 anos, levantando-se para responder a um vereador. Para ela, tudo o que está ocorrendo na cidade é resultado "da dor de cotovelo" de Nicéa.
"Eu também já fui traída e nem por isso enxovalhei meu marido e nem acabei com o meu lar", disse. "Ela agiu por vingança íntima."
Carmen sugere a Nicéa que tome Hillary Clinton, mulher do presidente americano, como exemplo. "Ela não se deixou abater, lavou a roupa suja no próprio tanque, ficou ao lado do marido e, com isso, ganhou a admiração das mulheres do mundo todo".
A pernambucana Joselma Júlia da Silva, de 35 anos, que arregimentou um grupo de 20 pessoas de Guaianazes para defender o prefeito, acha que ele é um "bode expiatório e não deve ser crucificado". "Acho errado pedir o impeachment", comentou. "As denúncias devem ser investigadas pelo Ministério Público e não por vereadores que não valem nada."
Sentada do lado da oposição, na galeria, Maria Regina da Costa e Silva, de 53 anos, do Movimento de Saúde da Zona Norte, defende uma CPI para apurar todas as denúncias. "Nessa rede tem muito peixe graúdo." A escriturária Maria Aparecida Costa, de 46, concorda. "A CPI tem de ser feita pela moralidade de São Paulo."

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