Eleitores abandonam Schroeder; ex-comunistas têm ganhos
Berlim, 13 (AE-AP) - Desafiadores depois de duas reveses eleitorais em uma semana, os governistas social-democratas da Alemanha insistiram hoje (13) que vão levar à frente planos cortes orçamentários que têm revoltado muitos de seus tradicionais partidários.
O chanceler Gerhard Schroeder evitou a mídia depois das dramáticas perdas de seu partido no domingo em dois estados. Mas líderes partidários defenderam os planejados cortes no orçamento federal, partes dos quais irão atingir programas sociais, aposentadorias e ajuda à ex-comunista Alemanha Oriental.
"Estamos convencidos de que o que temos proposto é o certo", afirmou o diretor-geral designado do partido, Franz Muentefering.
Ele reconheceu que os eleitores que levaram Schoreder à chancelaria (chefia do governo) há um ano estão ficando cada vez mais desiludidos com uma queda-de-braço interna no partido entre reformistas econômicos aliados do chanceler e esquerdistas defendendo suas tradições trabalhistas. Muitos eleitores social- democratas preferiram não ir às urnas no domingo, disse.
"As pessoas não querem um grupo de auto-ajuda, elas querem uma clara liderança política", afirmou Muentefering, referindo-se à luta pela direção em seu partido. "Isto é o que está faltando ultimamente".
Os social-democratas perderam sua participação no poder no domingo no estado oriental de Thuringia e perdeu dramaticamente em disputas locais em seu bastião ocidental de Renânia do Norte-Vestefália. Conselhos em cidades industriais chaves como Colônia, Essen e Dortmund - firmemente nas mãos de social-democratas por 40 anos ou mais - passaram para o lado dos conservadores democrata-cristãos.
Em Thuringia, o governador democrata-cristão Bernhard Vogel passou a ter maioria absoluta, permitindo que governe sozinho depois de cinco anos de aliança com os social-democratas.
O resultado traz complicações adicionais para os planos de austeridade de Schroeder, já que os quatro votos do estado na Câmara alta do Parlamento de 69 cadeiras passaram para a oposição, aumentando seus poderes de emendar a constituição.
Há apenas uma semana, eleitores impingiram derrotas aos social- democratas nos estados de Saarland e Brandenburg.
Num forte sinal de descontentamento na economicamente enfraquecida Alemanha Oriental, os ex-comunistas na região superaram os social- democratas de Schroeder em Thuringia e tornaram-se o segundo maior partido no estado pela primeira vez desde a unificação da Alemanha, em 1990.
O ex-comunista Partido do Socialismo Democrático fez campanha condenando o alto índice de desemprego na parte oriental e os planos de austeridade do chanceler.
Vogel, o reeleito governador de Thuringia, prometeu hoje lutar contra qualquer corte na ajuda aos estados orientais alemães.
Schroeder tem defendido ardorosamente seus planejados cortes orçamentários como a mola mestra da reforma econômica e dos esforços de seu governo na luta contra o índice de desemprego de dois dígitos.





