Eleitor quer PMDB atuando para mudar política econômica
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quarta-feira, 09 de junho de 1999
Por Claudia Carneiro 
Brasília, 10 (AE) - O PMDB vai usar as conclusões da pesquisa encomendada ao Ibope e divulgada hoje, sobre a imagem do partido junto à opinião pública e o quadro político-partidário em geral, para defender teses que o distanciam do governo e o aproximam da disputa eleitoral de 2002. A pesquisa revelou que a população - repetindo o perfil do PMDB - está dividida sobre a posição que o partido deve ter diante o governo. Mas defendeu majoritariamente que o PMDB lute pela criação de mais empregos e para mudar a política econômica do governo.
Do total de 2 mil pessoas entrevistadas no País, 67% esperam que o partido trabalhe para mudar a atual política econômica. "Aqui há uma recomendação séria para o PMDB", disse o presidente do PMDB, senador Jader Barbalho (PA). "O PMDB tem que entender esse recado como um desejo da maioria da população brasileira", acrescentou ele, ao ressaltar que o partido vai trabalhar no desdobramento desses dados em pesquisas qualitativas. Mas a maior parte dos entrevistados (84%) espera do PMDB que ele lute mais pelos pobres.
O presidente da Câmara, deputado Michel Temer (SP), avaliou que o pleito dos brasileiros pela mudança da política econômica deve-se ao alto índice de desemprego. "Se a política econômica retomar a idéia do desenvolvimento, esse dado vai mudar", apostou Temer, afirmando que o PMDB não pode deixar de levar em conta esse tópico.
A pesquisa sugere que o PMDB deve ter uma postura mais crítica com relação ao governo, embora mantendo seu apoio. 26% gostariam mais do PMDB se ele apoiasse claramente o presidente Fernando Henrique, mas 25% gostariam menos, nessa hipótese. Um dado surpreendente foi que 44% acham que o País não vive numa democracia, enquanto 45% acreditam viver numa democracia.
A pesquisa, realizada entre os dias 1º e 5 de maio, apresenta dados muito favoráveis ao PMDB, como a constatação de que ele é o partido mais influente do Brasil, para 31% dos entrevistados; o partido da maior preferência do eleitorado, para 14%; e o partido que, ao lado do PT, apresenta-se como o mais confiável, para 18%.
O PMDB superou o PFL no tópico que aponta o partido que mais ajuda o presidente Fernando Henrique Cardoso - 20% contra 19%. "A opinião pública acha que nosso partido apresenta os melhores candidatos, isso reflete que temos de trabalhar para lançarmos o melhor candidato em 2002", comemorou Jader Barbalho
durante o lançamento da pesquisa e ao lado de todas as maiores expressões do partido, com exceção do governador mineiro Itamar Franco.
A pesquisa do Ibope trouxe também dados amargos para o PMDB, como a constatação de que, para a opinião pública, o partido continua ligado à idéia de fisiologismo e corrupção. Para 13% dos entrevistados, o PMDB é o partido mais corrupto do Brasil, superando o PFL e o PSDB, os dois com 11%. Para 52% das pessoas ouvidas, o PMDB mantém suas posições firmes com o objetivo de ganhar cargos; e para 44%, é um partido que negocia acordos através de cargos, e não por princípios ideológicos.
Uma das questões apontaram que 81% da população aprovaram a atitude do PMDB - cuja iniciativa foi de Jader Barbalho - de propor a criação da CPI do Sistema Financeiro no Senado. A pergunta espontânea foi sobre quem são os principais líderes do PMDB. Jader Barbalho e Itamar Franco aparecem na frente e empatados com o ex-presidente José Sarney e o ex-governador Orestes Quércia. Com exceção de Itamar, todos eles participaram do evento, acompanhado dos ministros do partido e de seus líderes no Congresso. Na ponta da mesa, ao lado dos cardeais do partido, estava o ex-presidente da legenda Paes de Andrade.


