Eleições taiwanesas podem abalar relação com a China
Eleições taiwanesas podem abalar relação com a China17/Mar, 18:16 Taipé, 17 (AE-AP) - O candidato pró-independência, Chen Shui-bian parecia ganhar terreno nesta sexta-feira (17) no término da campanha presidencial, enquanto a China mantinha suas ameaças. "Esperamos que as pessoas em Taiwan votem sabiamente a favor da estabilidade. Se o partido favorável à independência chegar ao poder, as relações podem não ser tão estáveis", advertiu Zhou Zhihuai, vice-presidente do Instituto de Estudos de Taiwan da Academia da Academia de Ciências Sociais chinesa. Ao contrário das últimas eleições presidenciais, em 1996, quando ameaçou Taiwan com testes de mísseis e manobras militares por enquanto Pequim limitou-se a ameaças verbais. Mas essas ameaças foram o suficiente para assustar os investidores e fazer com que a Bolsa de Taiwan caísse duas vezes esta semana. Taiwan vive um clima de tensão desde que Pequim advertiu que um triunfo de Chen Shui-bian, candidato do opositor Partido Democrático Nacionalista, que defende a independência da ilha, poderia provocar uma furiosa e imediata reação. As Forças Armadas foram postas na quinta-feira em estado de máxima atenção (um patamar abaixo do estado de alerta) apesar de terem sido desmentidos os rumores de que a China realizava manobras do outro lado do Estreito de Formosa. O secretário norte-americano de Defesa, William Cohen, afirmou hoje em Tóquio que não havia sinais de que a China estivesse preparando um ataque, mas advertiu Pequim que o uso da força não é uma opção aceitável para que os rivais resolvam suas diferenças. Em Washington, o subsecretário de Estado, Thomas Pickering, convocou o embaixador chinês, Li Zhao Xing, para pedir que Pequim reduza o tom ameaçante de seu discurso. Taipé também exortou a China a "atuar com moderação", horas antes das eleições que podem acabar com as mais de cinco décadas de governo do Partido Nacionalista (Kuomintang) e levar ao poder uma administração favorável à independência da ilha. As eleições de sábado poderão revelar até que ponto os taiwaneses temem as Forças Armadas chinesas do outro lado do Estreito de Formosa. Os três candidatos - Chen, da oposição; Lien Chan, do Kuomintang; e o independente James Soong - estavam virtualmente empatados, segundo as últimas pesquisas, divulgadas há mais de dez dias, mas aparentemente o democrata conseguiu conquistar nos últimos dias parte do apoio dos 25% de indecisos entre os 15,5 milhões de eleitores. O candidato da oposição, temeroso de assustar os eleitores, voltou hoje a amenizar seu tom e manter distância do programa separatista de seu partido. Os três candidatos percorreram a ilha nesta sexta-feira na tentativa de convencer os indecisos, antes de reunir-se à noite com seus simpatizantes nos últimos comícios. Cerca de um milhão de pessoas concentraram-se em todo o país, a maior parte delas na capital, Taipé, invadida pelo colorido das bandeiras e o alarido dos simpatizantes, inflamados pelos discursos de seus candidatos. A saída de James Soong do Kuomintang para concorrer independentemente acabou beneficiando o candidato da oposição, pois dividiu os eleitores que votariam em Chen, do partido governista. Mas os três foram unânimes em defender a soberania de Taiwan. "O povo taiwanês não aceita a intimidação militar", declarou Soong, referindo-se às duras ameaças do primeiro-ministro chinês Zhu Rongji, que reiterou o risco de uma guerra se Taiwan optar pela independência. "Ninguém tem o direito de interferir em nossas eleições", discursou, nervoso, o candidato do Kuomintang, Lien Chan.





