Eleições peruanas em perigo e rumores de golpe13/Mar, 17:57 Lima, 13 (AE-ANSA) - O Peru vive hoje um confuso panorama eleitoral: o governo do presidente-candidato Alberto Fujimori enfrenta acusações de fraude e sofre pressão dos Estados Unidos e de organismos observadores internacionais. As pressões diplomáticas e políticas externas parecem perseguir de forma crescente o presidente Fujimori, enquanto que nos mais altos níveis do poder político analisa-se a possibilidade de que o controvertido processo eleitoral peruano termine abortando nos últimos dias. A ANSA teve conhecimento de que nas últimas horas se realizaram "febris comunicações" de altos funcionários do Departamento de Estado da administração do presidente Bill Clinton com diplomatas peruanos não identificados pela fonte e que, segundo o informante, poderiam ser o presidente do Conselho de Ministros, Alberto Bustamante e o próprio chanceler Fernando De Trazegnies. Os Estados Unidos formularam nos últimos dias até três advertências ao governo Fujimori, insistindo em substanciais modificações do atual processo eleitoral, caracterizado por uma "guerra suja" contra os candidatos presidenciais de oposição. A falsificação massiva de assinaturas para permitir a inscrição da aliança oficialista "Peru 2000" que postula a Fujimori uma terceira eleição consecutiva, é outro detonador de um processo que, segundo comentam alguns diplomatas estrangeiros "está prestes a desmoronar". A situação, que se torna incerta a menos de quatro semanas das eleições, abre a possibilidade de uma postergação das eleições até temores de um motim militar que termine com o atual governo. Esta última hipótese foi levantada pelo general da divisão retirado Jaime Salinas Sedó, chefe do frustrado levante militar de 13 de novembro de 1992, dirigida por ele para resistir ao autogolpe dado por Fujimori em abril do mesmo ano. Salinas disse que em meio ao atual "jogo político" é possível que o atual assessor de inteligência e poderoso homem forte do regime, o capitão retirado Vladimiro Montesinos, "possa muito bem propiciar uma situação de força deixando as coisas irem até um golpe de Estado". Fontes do Exército consultadas pela ANSA disseram que nas Forças Armadas, principlamente no Exército, "vive-se uma situação tensa, onde os generais que não são favoráveis ao governo de Fujimori expressam em voz baixa seu desacordo com o processo eleitoral". Mas tudo parece indicar que Montesinos e os altos comandos militares mantêm uma forte aliança com Fujimori, a quem fizeram chegar, há uma semana, na reunião realizada no quartel-general do Exército, seu "pleno respaldo e adesão". Esta versão circulou nos quartéis e se espalhou em setores do Exército que "apostam" na continuidade de Fujimori como parte de um plano do governo que assegure as reformas sob a discreta tutela das Forças Armadas. Entretanto, alguns candidatos presidenciais com menor opção, como Federico Salas - de Venceremos - , começam a amadurecer a idéia de pedir um adiamento de três meses das eleições previstas para o domingo 9 de abril. A idéia foi transmitida discretamente a outros quatro candidatos, entre eles Alberto Andrade, de Somos Peru, e Alexandre Toledo, de Peu Possível, mas não teve respostas imediatas. O presidente Fujimori, que garantiu a realização das eleições de maneira limpa, legal e transparente, encabeça as pesquisas com 33%, seguido de Toledo, com 22%. Ainda que os números das pesquisas de opinião mostrem um panorama parcial, a processão política vai por dentro do governo Fujimori, que parece buscar "soluções" para uma crise que colocou seu governo "no fio da navalha", segundo analistas locais.

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