Estrasburgo, 09 (AE-AP) - Começarão amanhã (10), na Grã-Bretanha, Dinamarca e Holanda, as eleições para renovação das 626 cadeiras do Parlamento Europeu, cuja sede fica em Estrasburgo, no leste da França.
O pleito prosseguira sexta-feira na República da Irlanda - onde teve início hoje em algumas regiões isoladas - e termina domingo com votação na Alemanha, Itália, Portugal, Espanha, Bélgica, Luxemburgo, Grécia, áustria, Suécia, Finlândia e França.
Embora o Tratado de Amsterdã tenha conferido mais poderes ao Parlamento Europeu, a campanha eleitoral não empolgou a população dos 15 membros da União Européia (UE).
O novo Legislativo terá maior controle sobre a Comissão Executiva (CE) e o Conselho de Ministros da UE, instalados em Bruxelas. Em março, os parlamentares tiveram atuação decisiva no desvendamento de um escândalo de fraude e irregularidades administrativas na comissão, o qual resultou na demissão coletiva de seus 20 membros, incluindo o presidente.
A avaliação das autoridades é que a abstenção será elevada, podendo alcançar até 64% em Portugal e 72% na Holanda. A participação será maior nas nações que realizarão simultaneamente pleitos locais, como a Bélgica, onde haverá votação para a Câmara dos Represenantes, Senado e as Assembléias regionais da Valônia, Flandres, Bruxelas e da região germânica no leste do país. Em 13 das 17 comunidades regionais autônomas espanholas serão eleitos prefeitos e vereadores e em alguns Estados alemães haverá eleições municipais.
A ampliação da UE e a reforma das instituições européias para adaptá-las ao ingresso de mais países serão as prioridades políticas do Parlamento na nova legislatura.
Cinco nações já têm seu ingresso definido: Hungria, Polônia, República Checa, Eslovênia e Estônia. No fim do ano, na cúpula da comunidade, em Helsinque, na Finlândia, poderão ser aceitos Romênia, Bulgária, Lituânia, Letônia e Eslováquia. Caberá aos eurodeputados aprovar ou não o ingresso de cada um.
Os partidos de tendência socialista e cristã-democrata devem conquistar a maioria das cadeiras, seguidos de perto das agremiações liberais. O Partido dos Socialistas Europeus detém atualmente o maior número de cadeiras - 214. O Partido Popular possui 201 e é dominado pelos cristãos-democratas. O bloco liberal tem 42 assentos.
O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, acusou hoje o oposicionista Partido Conservador de pretender transformar a campanha eleitoral para o Parlamento Europeu em um referendo sobre a adesão do país ao euro, a moeda única da UE.
Blair defende a adoção do euro, mas os conservadores opõem-se à medida e aproveitaram a queda da cotação da moeda em relação ao dólar, nas últimas semanas, para conquistar o apoio dos chamados eurocéticos.
Se a economia do país se mantiver estável, o governo trabalhista promete convocar um referendo, provavelmente em 2002
sobre a substituição da libra pelo euro.

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