Paris, 06 (AE) - As últimas pesquisas autorizadas divulgadas na França, uma semana antes das eleições européias de 13 de junho, revelam surpresas inesperadas, como a falta de evolução dos partidos tradicionais e uma elevada taxa de abstenção, 53%. No início de verão europeu e a previsão de bom tempo domingo que vem poderá confirmar esse desinteresse pela constituição do Parlamento de Estrasburgo. Os franceses poderão optar pela pesca e não pelo voto. Diversas listas surgiram prejudicando os partidos liberais e gaulistas à direita, mas também os de esquerda como PS e PCF.
Antigo dirigente gaulista e do RPR, o ex-ministro do Interior Charles Pasqua, crítico da Europa de Maastricht e de Amsterdã, uniu-se a Philippe de Villiers, representante de uma direita francesa aristocrática e católica, formando uma lista que poderá obter 13% dos votos no domingo. Por outro lado, toda a estrutura gaulista e do RPR, aliada aos liberais de Alain Madelin, apoiada pelo ex-presidente Giscard D Estaing, hoje conduzida por Nicolas Sarkozy, ex braço direito de Edouard Balladur na eleição presidencial, alcança apenas 16,5 % das intenções de voto.
Essa lista de Charles Pasqua passou de uma simples dissidência no início da campanha, à segunda força entre os conservadores franceses.
Ela constitui a maior desse pleito, pois poucos acreditavam que a chamada direita que contesta o Tratado de Maastricht pudessem aspirar um tal resultado. Outro componente da coalizão de oposição ao governo socialista, a UDF, liderada pelo centrista François Bayrou, favorável à construção da Europa, via Maastricht e Amsterdã, perde sua condição de segunda força da direita, creditada com apenas 8,5% dos votos. Isso sem falar da extrema direita, que mantém mais ou menos sua posição. Após o racha entre Le Pen e Bruno Megret, o veterano dirigente político francês está levando vantagem , pois seu partido, a Frente Nacional, deverá receber 8% dos votos contra apenas 2% do Movimento Nacional de Bruno Megret, cada vez mais isolado.
De certa forma, o mesmo ocorre à esquerda, onde o Partido Socialista, principal força entre os chamados setores progressistas, perdeu alguns pontos na última semana, estabilizando-se em 20,5% das intenções de voto. A maior surpresa nessa área é a lista verde, encabeçada pelo alemão Daniel Cohen Bendit, cuja lista deverá obter 10% dos votos, um resultado melhor do se esperava. Outra grande surpresa será o resultado da lista de extrema esquerda, após a decisão de Arlete Laguiller e Alain Krivine, Luta Operária e Liga Comunista Revolucionária, de unirem suas forças numa única lista. Ela está cotada com 6,5% das intenções de votos, garantindo, pela primeira vez, uma representação no Parlamento Europeu.
Essa posição fragiliza o Partido Comunista Francês que, apesar de integrar a coalizão governamental na França, é manifestamente anti- Maastricht. Esse partido, o único cuja lista de candidatos é constituída majoritariamente por mulheres e que abriu suas portas para candidaturas de personalidades não comumistas, não deverá obter mais do 7,5% dos votos, segundo a última pesquisa.

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