As eleições em Tóquio fazem parte de 12 eleições municipais e de uma enxurrada de eleições para assembléias locais que serão decididas no domingo, mas a batalha na capital está atraindo de longe a maioria das atenções. Isso não é surpresa, dado a grande fama de Ishihara como um fervoroso nacionalista com tendência norte-americana, as baixas expectativas de que o candidato do Partido Liberal Democrático (PLD), do governo, possa vencer, e o fato de que o PLD se juntou a rivais não-comunistas para apoiar os mesmos candidatos nas eleições de outros nove municípios.
As primeiras pesquisas de opinião colocaram Ishihara bem à frente nas eleições em Tóquio, mas ainda há sérias dúvidas se ele irá conseguir os 25% necessários para assegurar o posto. Se nenhum candidato conseguir um quarto dos votos, outra eleição deve ser realizada em cerca de um mês - um processo caro para o governo metropolitano de Tóquio, que já tem um débito profundo. Uma vitória de Ishihara será um golpe para Obuchi de duas maneiras. Na frente diplomática, o rígido nacionalista que se baseou no título do livro de 1989, do qual ele foi um dos autores: "O Japão que pode dizer não" para o slogan de sua campanha, "A Tóquio que pode dizer não", seria um fator irritante nos laços com os Estados Unidos e com a China. "Se Ishihara mantiver sua postura em relação à política externa e de defesa, irá criar muitos problemas, particularmente seu hábito de chamar a China de Shina", disse uma fonte do governo, referindo-se à insistência de Ishihara em usar um termo com tons do imperialismo japonês da época da guerra que Pequim considera ofensivo. "Além disso, sua posição referente às relações de defesa podem irritar muito os Estados Unidos, o que o governo certamente não quer ver acontecer, mesmo que esteja fora das mãos do prefeito intervir nestas políticas", adicionou a fonte.
Ishihara - conhecido por sua impaciência com a confiança da defesa do Japão à América - defende a utilização das terras ocupadas pela base aérea militar norte-americana de Yokota e propôs usar o espaço para um novo aeroporto internacional. Alguns analistas dizem que uma grande vitória de Ishihara iria refletir numa guinada genérica à direita na política japonesa. Outros dizem que isso iria principalmente medir a frustração geral dos japoneses, cansados de ser empurrados por seu governo central e coordenados por Washington.
"O assunto da base aérea de Yokota é um maravilhoso futebol político. Ele não tem poder para afetar as coisas das quais fala, mas é uma mensagem atrativa. Eu não a chamaria de anti- americana, mas as pessoas se sentem descontentes", disse Keith Henry, chefe do escritório japonês do Massachusetts Institute of Technology. "É um sinal de que as pessoas querem criticar o PLD e aqueles que controlam o governo nacionalmente, assim como criticar um pouco os Estados Unidos", adicionou Henry.
Uma derrota por uma grande margem iria também criar problemas para o secretário-geral do PLD, Yoshiro Mori, que pode ter uma queda em seu prestígio político. A candidatura de Yasushi Akashi, do PLD, um antigo subsecretário geral da ONU com estreitos laços com o Partido Novo Komeito, de oposição, foi prejudicada desde o início por uma briga na qual Akashi vacilava enquanto o ex- ministro do Exterior, Koji Kakizawa, desafiava líderes do partido a concorrerem. Kakizawa mais tarde foi expulso do partido.
O prejuízo para Mori, no entanto, não deve desestabilizar muito Obuchi, cujos resultados positivos em pesquisas recentes de popularidade aumentaram conforme ele ia tendo uma atuação melhor do que muitos críticos esperavam, tanto na economia doméstica quanto na política diplomática.
Dado que a expectativa é de que Akashi perca, parece que o impacto de sua derrota irá depender de quão atrás ele ficará do vencedor. "Se espera-se que você perca, é um tapa muito suave na cara", disse Henry. "A política nada mais é do que expectativas". Isso significa que as esperanças de que a economia do Japão está colocando o pior para trás podem acabar sendo o calcanhar-de-aquiles de Obuchi.
Obuchi enfrenta uma eleição para a presidência do PLD em setembro, apesar de alguns no partido acreditarem na possibilidade de um acordo por trás dos panos no qual ele iria concorrer sem oponentes em uma eleição mais cedo, em julho. Obuchi ganharia um mandato de um ano, ao invés dos usuais dois anos, e então se retiraria para que rivais concorressem em julho de 2000, bem antes do prazo para as eleições da Câmara Baixa do Parlamento em outubro seguinte. "Se você olhar para o que é mais importante para Obuchi, é o comportamento da economia", disse Shigenori Okazaki, analista político da Warburg Dillon Read.por Linda Sieg, da REUTERS (assinatura obrigatória) TàQUIO (AE-REUTERS) - O governo do primeiro-ministro Keizo Obuchi irá sofrer um "olho roxo" doméstico e uma dor-de-cabeça diplomática se o candidato de seu partido perder feio para um rival nacionalista nas eleições para o governo de Tóquio no domingo. Mas o próprio destino político de Obuchi irá provavelmente depender mais do estado da economia do Japão do que da possibilidade do autor nacionalista e ex-legislador do partido governista, Shintaro Ishihara, conseguir o emprego de prefeito da capital, como indicam as pesquisas.

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