Eleições britânicas registram baixo comparecimento
Londres, 06 (AE-AP) - O temor do governo britânico de um baixo comparecimento às urnas confirmou-se hoje (06) na Grã-Bretanha, onde se realizaram eleições históricas para o Parlamento escocês - o primeiro após quase 300 anos de união com a Inglaterra - e a Assembléia de Gales, além do preenchimento de 13 mil cadeiras em 362 conselhos municipais em toda a nação.
O Reino Unido é formado pela Grã-Bretanha (Inglaterra, Escócia e Gales) e a Irlanda do Norte, que elegeu sua Assembléia no ano passado, como parte do processo de paz na província.
A votação encerrou-se às 22 horas (horário local) e a previsão era que os primeiros resultados do pleito municipal fossem conhecidos ainda hoje à noite. Na Escócia e em Gales a apuração deve encerrar-se na madrugada de amanhã.
O pleito deu continuidade à política de descentralização do poder instaurada pelo primeiro-ministro trabalhista, Tony Blair, logo após vencer as eleições parlamentares em 1997. Com isso, o governo espera atender às reivindicações de maior autonomia e assim apaziguar os ânimos nacionalistas, principalmente na Escócia. É também o primeiro teste nas urnas do prestígio do Partido Trabalhista (Labour) e de Blair, cuja popularidade se mantém alta em todo o Reino Unido, bem como do líder do Partido Conservador, William Hague. Ele sofre críticas acirradas de seus correligionários por não conseguir deter a contínua perda de apoio.
As últimas pesquisas de opinião apontavam vitória dos trabalhistas nas três votações. Na Escócia, a estimativa é que obterão 42% dos votos, o equivalente a 56 das 129 cadeiras do Parlamento - insuficientes, portanto, para a formação de um governo. Os nacionalistas do Partido Nacional Escocês (SNP, em inglês) poderão obter 43 assentos e também não teriam maioria absoluta nem para governar nem para apresentar seu projeto de plebiscito sobre a independência da Escócia. Os conservadores obteriam 17 cadeiras. Se confirmados esses resultados é praticamente certo que o Labour irá compor-se com o Partido Liberal Democrata, que deverá conquistar 13 cadeiras.
Os jornais escoceses se uniram na convocação da população a votar, sem conseguir entusiasmar os eleitores. "A votação não atraiu nossa atenção. Não é nada tão grande como tentar tirar Margaret Thatcher do poder", disse Jackie Brown, referindo-se à ex-primeira-ministra conservadora britânica.
Num plebiscito realizado em 1997, os escoceses votaram esmagadoramente a favor da criação de um parlamento com o poder de aumentar ou reduzir impostos no limite de 3%. A instituição poderá legislar sobre saúde e educação, mas política econômica, relações internacionais e defesa continuarão sendo atribuições do parlamento britânico, em Londres.
Os eleitores mais idosos relembraram as glórias passadas do Império Britânico e diziam que a independência iria levar à perda da importância da Escócia e da Inglaterra, seu antigo inimigo e parceiro nos últimos três séculos. "Independência? Certamente, não. Sou a favor da união. A Grã-Bretanha é alguma coisa. Escócia e Inglaterra sozinhas não são nada", afirmou um antigo soldado, William Kellock, de 80 anos. O ator Mike Duffy, de 59 anos, recebeu bem a criação do Parlamento, mas disse temer o fim da Grã-Bretanha. "Nós somos muito pequenos na Grã-Bretanha. Eu tenho um monte de amigos ingleses e fico feliz de dividir uma nação com eles."





