Buenos Aires, 17 (AE) - As eleições argentinas deste domingo podem alterar a cena política do país. Segundo avaliação de cientistas políticos e pesquisadores argentinos, estão sendo criadas situações que tendem a debilitar uma das principais características da política argentina: o personalismo.
Há grandes chances de que o futuro presidente seja o candidato da Aliança UCR-Frepaso, Fernando de La Rúa, que aparece em todas as pesquisas em primeiro lugar. A diferença entre as enquetes varia de 10% a 18% dos votos.
Em média, De la Rúa possui 45% das intenções de voto, o que é suficiente - se confirmado - para elegê-lo em primeiro turno, porque a legislação argentina não exige que o candidato obtenha 50% dos votos. Bastam 45% dos votos válidos ou uma diferença de 10 pontos sobre o segundo colocado.
Se o canditado da Aliança ganhar, vai governar sem maioria no Senado, nos governos estaduais (em 12 das 17 eleições provinciais já realizadas ganhou o Partido Justicialista, incluindo duas das principais províncias, Córdoba e Santa Fé), sem o controle sobre a Suprema Corte de Justiça e com a Procuradoria- Geral chefiada por um peronista até 2001. Na Câmara de Deputados, a Aliança é a maior representação, mas não possui maioria.
"Se confirmada, essa situação abre uma etapa diferente na política argentina porque o governo da Aliança vai ter de negociar permanentemente com o justicialismo", diz Roberto Bacman, diretor do Centro de Estudos de Opinião Pública (Ceop). "É um desafio para a democracia e uma oportunidade para dar um salto político positivo", pondera Rosendo Fraga, do Centro de Estudos para a Nova Maioria. A pluralidade, explica ele, tem estado ausente da política argentina. Os presidentes eleitos sempre tiveram maioria no Parlamento, o que lhes permitia governar sem a necessidade de negociar e fazer concessões à oposição.
Na avaliação dos analistas, a falta de maioria política vai debilitar a prática do personalismo político, marca de tantos governos argentinos, incluindo - e muito fortemente - a década de Carlos Menem.
A necessidade de negociação será permanente e deverá começar imediatamente. Na opinião dos pesquisadores políticos, a preocupação com a saída da Argentina da atual crise econômica fará com que a oposição dê uma trégua ao governo eleito de um prazo entre seis meses e um ano. O chefe da oposição deve ser Menem, que já declarou ser candidato à Casa Rosada em 2003. Por isso, de certa forma, a derrota do candidato peronista à presidência, Eduardo Duhalde, lhe favorece.
Uma incógnita - que influenciará o rumo da cena política argentina - é eleição para a Província de Buenos Aires. Os dois candidatos - Graciela Fernández Meijide, da Aliança, e Carlos Ruckauf, do Partido Justicialista - estão empatados, segundo as pesquisas de opinião.
Um dos principais problemas do novo governo será o corte de gastos públicos, para permitir um aumento da competitividade. Para que essa medida seja vitoriosa, o governo federal vai precisar negociar corte de gastos e, em alguns casos, reformulação do sistema tributário das províncias, onde a maioria dos governos está na mão do peronismo. As propostas de pactos de governabilidade já começaram a ser feitas.
Em debate entre os dois principais candidatos à vice-presidência - Chacho álvarez, da Aliança, e Ramón Palito Ortega, do justicialismo - o vice de De la Rúa propôs que os partidos firmem, antes da eleição do domingo, um pacto de governabilidade pelo qual se comprometem a aprovar medidas urgentes propostas pelo candidato vencedor entre segunda-feira, dia 25, e 10 de dezembro, período de intervalo entre a realização das eleições e a posse do presidente eleito.

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