Eleição tripla sindical provoca guerra de idéias no Grande ABC
Santo André, SP, 10 (AE) - Uma guerra de idéias, propostas e projetos começou no Grande ABC (SP). É que, até maio
haverá eleição tripla na região. Os três sindicatos de metalúrgicos, o maior, ligado à Central Única dos Trabalhadores (CUT), e outros dois, à Força Sindical, marcaram eleições para renovação da diretoria.
A disputa pelo controle de uma base total perto de 135 mil trabalhadores, dos quais 95 mil têm direito à voto, é também uma luta por verdadeiras máquinas para criar poder e dinheiro.
A soma dos orçamentos dos sindicatos este ano é de quase R$ 18 milhões. Quem ganhar a disputa, terá peso político na cidade e na região, além de projeção nacional, adquirida em movimentos pelo emprego e por salários, na que promete ser a pior recessão do País, uma vez que chega marcada por desemprego recorde, automação acelerada, reestruturação na indústria e regras econômicas globalizadas.
No cenário político, serão esses dirigentes que ajudarão a influenciar as reformas que começam a ser encaminhadas, como a da Justiça do Trabalho, da estrutura sindical, da legislação trabalhista, além da reforma tributária.
O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (CUT) tem como candidato à presidência uma das estrelas do atual sindicalismo, Luiz Marinho, que concorre à reeleição. Ele terá oposição na empresa onde mantém vínculo empregatício, a Volkswagen, e também na Scania.
No Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André (Força Sindical), o atual presidente José Tomaz Neto, apóia o nome do tesoureiro, Cícero Firmino da Silva, o "Martinha", e não terá oposição direta.
No de São Caetano do Sul, também da Força Sindical, o presidente Aparecido Inácio da Silva, vai tentar a reeleição enfrentando uma nova liderança da CUT: Marcelo Toledo, que vem capitaneando apoios entre trabalhadores descontentes, principalmente da General Motors (GM).
Os candidatos da situação têm um ponto fraco: sem exceção, negociaram redução de salários, afastamento de empregados (com isenção para empresas de pagamento de encargos), aceitaram o conceito de jornada flexível (e, com isso, perderam o ganho representado pelas horas-extras), abriram mão de benefícios e, em alguns casos, desistiram de conseguir aumento de salários na última data-base da categoria, em novembro.
As oposições fazem a festa nesse cenário de perdas generalizadas, mas também chegam com um discurso contundente em relação às últimas negociações: segundo os candidatos das chapas 2, basta ver as estatísticas para saber que tantas concessões não evitaram desemprego na base.





