Eleição presidencial no Sri Lanka tem ampla participação
Colombo, 21 (AE-AP) - As ameaças dos guerrilheiros separatistas tâmeis não conseguiram dissuadir os eleitores cingaleses de participar da eleição presidencial do Sri Lanka. De acordo com informações divulgadas pela Comissão Eleitoral mais de 75% dos 11,8 milhões de eleitores compareceram ao centros de votação, intensamente vigiados pela polícia e pelo Exército.
Contudo vários acidentes violentos causaram a morte de pelo menos 12 pessoas no transcorrer das eleições. A alta participação surpreendeu os analistas políticos, que esperavam uma maior abstenção por causa dos ataques de sábado atribuídos ao grupo separatista Tigres de Libertação Tamil, que deixaram 36 mortos e mais de 130 feridos, entre eles a presidente Chandrika Kumaratunga.
A chefe de Estado recebeu autorização da Comissão Eleitoral para votar em sua casa, onde se recupera da cirurgia a que foi submetida no olho direito por causa dos ferimentos causados na explosão da bomba. Apesar de terem-se apresentado 13 candidatos à disputa presidencial, Chandrika, líder da Aliança Popular, e Ranil Wickremasingue, chefe da maior força de oposição, o Partido Nacional Unido, são considerados os favoritos.
A principal oferta eleitoral dos dois candidatos é a de acabar com os 17 anos de guerra civil que atinge a ilha e já causou a morte de mais de 60 mil pessoas desde que os tigres tâmeis iniciaram em 1983 a luta pela secessão do norte e leste do Sri Lanka. Mas nem Chandrika nem seu principal rival explicaram como pensam obter um acordo com os rebeldes, que controlam importantes áreas nessa parte do país, onde vive concentrada a minoria tâmil, que constitui 17,6% dos 18 milhões de habitantes.
Analistas acreditam que o atentado contra Chandrika poderá atrair a simpatia dos eleitores e beneficiá-la eleitoralmente, já que a população andava desgostosa com seu fracasso em acabar com guerra civil no país. Também se considera a possibilidade de que os tâmeis que nas eleições de 1994 contribuíram com seu voto para a ampla vitória de Chandrika, desta vez sigam o conselho dos tigres tâmeis, que exortaram o voto contra a presidente.
As ruas de Colombo ficaram desertas e as lojas foram fechadas quando foi decretado o toque de recolher após o início da contagem dos votos. O resultado final deverá ser divulgado amanhã.





