São Paulo, 12 (AE) - O primeiro dia de eleição para renovação da diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, um dos mais importantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), foi marcado por conflitos e denúncias. As ocorrências prejudicaram a coleta de votos nas maiores empresas de Santo André e Mauá (cidades nas quais a base é disputada por outro sindicato) e na Volkswagen, a maior empresa da região e aquela na qual a atual diretoria têm a oposição mais consistente.
Nesse primeiro turno (hoje e amanhã) estão sendo eleitos 69 comitês sindicais de bases nas fábricas. Numa segunda-fase, em maio, será escolhida a nova direção executiva. O presidente do sindicato e candidato à reeleição, Luiz Marinho, tem oposição na Volkswagen e na Scania. Justamente na Volks houve a maior confusão.
Cerca de 14 mil empregados da montadora têm direito a voto, mas as listas das 17 urnas fixas não correspondiam aos locais de trabalho de muitos dos votantes. A oposição, liderada pelo metalúrgico Celso Routulo, acusa o sindicato de ter feito a confusão de propósito. "Houve problemas nas alas em que tínhamos maior número de votos garantidos", protestou Routulo. "Nessas alas, poucos conseguiram votar." A oposição precisa ter pelo menos um terço dos votos para participar do comitê sindical de base. O Sindicato, até o final da tarde, não havia se pronunciado porque estava estudando as ocorrências.
Também houve conflito na TRW de Santo André e na de Mauá
na Cofap, na Philips, e nas duas unidades do grupo Eluma. O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC insistiu em coletar votos nessas empresas. Mas o Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André
presidido por José Tomás Neto, não aceitou.
Assim, na Cofap não houve votação e nas demais as urnas chegaram a ser instaladas, mas acabaram fora das fábricas depois de algum tempo. O Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André foi recriado em 1993, depois de um "racha" na diretoria do sindicato de Marinho.
Tomás, hoje, acabou seguindo para o 1º Distrito Policial de Mauá para dar esclarecimentos sobre os tumultos. O secretário-geral do sindicato, Adonis Bernardes, informou que amanhã os trabalhadores continuarão a impedir a entrada de urnas nas empresas da sua base territorial.
Nova proposta - O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC tem perto de 100 mil trabalhadores na base, orçamento previsto de R$ 14 milhões este ano e 78 mil sócios. Está brigando na Justiça pelo direito de voltar a representar os empregados de Santo André, Mauá e Ribeirão Pires.
A eleição de comitês sindicais de base está servindo como instrumento dessa tentativa de reconquista do território. Luiz Marinho está apostando num tipo de organização dentro das empresas: 90% dos cerca de 200 diretores que serão escolhidos pelos trabalhadores ficarão nas fábricas. Os outros perto de 10% comporão a direção executiva da entidade.
Os defensores do projeto afirmam que os comitês sindicais de base vão forçar uma representatividade real dos dirigentes, já que eles são eleitos dentro das fábricas. Além disso, uma organização assim evitaria a centralização excessiva do poder numa cúpula dirigente.

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