Grozny, 26 (AE-AP) - Pelo menos 2 mil guerrilheiros separatistas chechenos tomaram hoje (26) a cidade de Nozhai-Yurt, na fronteira entre a Chechênia e a Ingushetia, onde ocorriam eleições para escolha do novo presidente da Rússia, segundo informaram fontes militares russas citadas pela agência Interfax.
"Há informações sobre movimento de terroristas na região, mas absolutamente nada sobre a captura da cidade", comentou o presidente interino Vladimir Putin depois de votar nas eleições presidenciais num distrito eleitoral da capital russa.
Horas antes, ele havia advertido sobre a possibilidade de intensificação dos ataques de separatistas checheno empenhados em tumultuar as eleições tanto na Rússia quanto na Chechênia.
Por sua vez, o Ministério da Defesa russo desmentiu categoricamente a versão da agência noticiosa, porém admitiu o deslocamento de tropas federais que "avançavam sobre Nozhai-Yurt de todas as direções". Segundo a Interfax, agência independente russa reconhecida internacionalmente pela precisão de suas informações, os separatias chechenos (que teriam tomado a cidade) obedeciam ordens do comandante Khatab.
"Oficiais dos QGs das forças federais combinadas do Cáucaso confirmaram a ofensiva guerrilheira, ocorrida a 60 quilômetros a sudeste de Grozny, perto da fronteira ingushetia", garantiu a agência.
Serguei Yastrzhembsky, assessor do Kremlin para a Chechênia, acrescentou que grupos rebeldes haviam se infiltrado no povoado de Tasentoroi, 10 quilômetros a sudoeste de Nozhai Yurt.
Apesar das versões sobre a ofensiva guerrilheira e deslocamento rápido de forças federais para a região, as eleições presidenciais em Nozhai Yurt transcorreram sem incidentes nos 336 colégios eleitorais da Chechênia, disse Tatiana Pashko, secretária da Comissão Eleitoral da Chechênia. "A ordem prevaleceu também no distrito de Nozhai-Yurt", ressaltou.
Os postos eleitorais abriram suas portas para atender 457 mil eleitores inscritos, entre os quais figuram mais de 90 mil soldados russos que há 7 meses combatem a guerrilha separatista muçulmana.
O número de eleitores chechenos era bem superior no início do ano passado, quando uma série de atentados a bombas em Moscou e outras importantes cidades russas, atribuídos pelo Kremlin a separatistas chechenos, resultaram na invasão da pequena república.
De acordo com os últimos dados oficiais, 281 mil civis chechenos refugiaram-se na Ingushetia, atravessando dois postos fronteiriços: Adler-20 e Kavkaz-1. Esses postos foram fechados no sábado a pedido das autoridades russas para evitar atentados durante as eleições.
A jornada eleitoral na república separatista foi precedida de numerosos combates entre forças russas e rebeldes, principalmente nos arredores de Samashi, 30 quilômetros a oeste de Grozny.
O comando militar russo confirmou também ataque rebelde contra um acampamento do Exército em Argun, 16 quilômetros a sudeste da capital chechena. Outro grupo guerrilheiro, ainda segundo as autoridades militares russas, foi dispersado na noite de sábado ao tentar penetrar em Gudermes, a segunda maior cidade da Chechênia, perto da fronteira do Daguestão.

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