Eleição em Taiwan causa onda de nacionalismo na China16/Mar, 15:57 Pequim, 16 (AE-ANSA) - A China está tomada por uma onda de orgulho nacionalista que está sendo alimentada por ameaças das autoridades de Pequim frente ao possível triunfo dos independentistas nas segundas eleições presidenciais livres que a ilha de Taiwan realizará no sábado. "Digam ao mundo: Taiwan nunca será independente, não permitiremos, defenderemos a pátria com nosso sangue", afirmou à ANSA com a voz alterada pela emoção Rong, que ligou para a agência desde a região de Henan. Pequim e a maioria dos chineses consideram Taiwan como uma província rebelde e, portanto, como destacou a imprensa nos últimos dias, parte "inseparável do sagrado território da China". "Uma chuva de mísseis intercontinentais cairá sobre 50 cidades americanas, criando incontáveis desastres nos Estados Unidos, que protegem Taiwan", escreveu um anônimo na seção Tribunal para um País Forte do site da Internet do Diário do Povo, o órgão do Partido Comunista Chinês. O principal noticiário da televisão estatal chinesa dedica um terço de sua programação para lançar ameaças contra a ilha. Enquanto isto, o semanário de política internacional do Diário do Povo cita um jornal dos Estados Unidos para lembrar que se o candidato do oposicionista e independentista Partido Democrata Progressista de Taiwan, Chen Shui-Bian, ganhar as eleições, isto "significará a guerra". O governo de Pequim, por seu lado, sustenta que o problema de Taiwan não pode ser adiado, mas admite que tudo dependerá "de quem será eleito amanhã". "Se for eleito um partidário da independência, não se tratará de anos (a solução do problema), mas de horas", declarou Xu Bodong, um analista da Academia de Ciências Sociais chinesa numa entrevista coletiva em Pequim. No outro lado do Estreito de Taiwan, a 160 km da costa chinesa e em solo taiwanês, as pessoas lembram que nas primeiras eleições presidenciais livres, há quatro anos, foi ouvido o eco dos mísseis de manobras do Exército de Libertação Popular no Mar da China. O primeiro-ministro chinês, Zhu Rongji, numa entrevista coletiva na quarta-feira que durante as últimas 48 horas foi retransmitida obsessivamente pela televisão estatal, expressou a opinião da maioria do povo da China. Os chineses "estão prontos para derramar seu sangue e dar sua vida" para defender sua terra, garantiu Rongji, numa velada ameaça de guerra contra Taiwan no caso de ser derrotado o candidato do Partido Nacionalista (Kuomintang), que detém o poder na ilha deste 1949. As palavras do premier soaram para alguns analistas como frases grandiloquentes de propaganda. Entretanto, diferentemente de outras ocasiões, tais frases têm sido escutadas pelo povo chinês, que tem no nacionalismo um elemento unificador. Apesar das ameaças, os especialistas assinalam que a grande incógnita é o comportamento que Pequim teria diante de uma possível vitória do candidato independentista, como prevêem as últimas pesquisas. Por outro lado, Shui-Bian, o prefeito de Taipé, moderou em muito suas declarações nos últimos dias e prometeu publicamente que não convocará um refendo sobre a independência da ilha se for eleito, e nem mudará a constituição taiwanesa neste sentido.

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