Eleição deve confirmar Aznar no poder Do enviado especial Reali Júnior11/Mar, 13:25 Madri, 11 (AE) - Os 34 milhões de eleitores espanhóis (4,3 milhões só em Madri) decidirão amanhã (12) se o governo de centro-direita de José María Aznar, do Partido Popular (PP), vai continuar a ser uma das três exceções entre os países da União Européia (UE) - 12 dos 15 membros são governados pela social-democracia. O PP é o favorito nesse confronto com o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), hoje liderado por Joaquín Almunia, sucessor de Felipe González, cuja sombra permanece sempre presente na política espanhola. As últimas pesquisas divulgadas pelo diário El País, de Madri, e pelo El Periódico, de Barcelona dão vantagem de 4 a 4,5 pontos porcentuais para o PP, mas não lhe garantem maioria absoluta de 175 cadeiras nas Cortes, o Parlamento espanhol. Se esses números se confirmarem, o partido de Aznar poderá obter de 165 a 170 cadeiras no Parlamento e os socialistas, entre 135 e 140. Isso quer dizer que ambos os partidos terão de fazer alianças para poder garantir uma maioria parlamentar. O PP deve melhorar sua posição em relação à eleição anterior, de 1996 quando elegeu 156 deputados e seu adversário socialista, 141. O partido de Aznar vai tentar, mais uma vez, renovar sua aliança com o CiU, o grupo catalão de Jordi Pujol, que fará exigências importantes, entre as quais a redução do déficit público da região da Catalunha. Na legislatura passada, os 21 deputados e oito senadores desse partido garantiram a maioria governamental no Parlamento. Uma nova aliança com o Partido Nacionalista Basco (PNV), presidido por Xabier Arzalluz, parece afastada, depois da recente ruptura. Quanto aos socialistas, sua aliança principal ocorre pela primeira vez com os antigos comunistas da Esquerda Unida (IU), hoje dirigida por Francisco Frutos, após o afastamento de Julio Anguita. No encerramento da campanha, o dirigente da IU reafirmou que o acordo com o PSOE é muito importante hoje e no futuro, procurando transmitir confiança a seus eleitores - os quais durante toda a campanha não digeriram o comportamento de Almunia, que não levou muito em conta certas aspirações da IU, incluindo o projeto de 35 horas semanais de trabalho, hoje lei na França. Segundo Frutos, o passo em direção à união deve tornar-se irreversível. Ele frisou que o acordo firmado serve "para ganhar e governar". O objetivo é transformar os pontos centrais do trato eleitoral entre os dois partidos em pacto de governo, com a participação de ministros comunistas no gabinete. Aliás, uma pesquisa revela que os espanhóis já superaram a fase em que a presença da esquerda no poder os atemorizava. Sessenta e cinco por cento das pessoas ouvidas consideraram normal que os comunistas indiquem ministros para um governo em caso de vitória da esquerda. Como a IU não deverá obter a mesma votação anterior, prevendo-se uma redução de sua bancada, de 21 para 12 deputados, os socialistas deverão buscar alianças com pequenos partidos. Também Almunia procurou garantir o cumprimento do acordo. "É mais forte o que nos une do que as diferenças que nos separam", afirmou. Almunia prometeu aplicar os 11 pontos de seu programa. Toda a campanha do PP e de Aznar foi feita com o argumento básico de que a Espanha vai bem e deve continuar no mesmo rumo. O primeiro-ministro defendeu o balanço econômico e social de seu governo, acreditando que ele poderá ser suficiente para garantir sua permanência no poder por mais quatro anos. A Espanha assimilou com sucesso a política de globalização e beneficia-se também de um momento muito favorável da economia européia, devendo crescer por volta de 3% ao ano nos próximos anos. A luta contra o desemprego dá resultados e mais de 1,8 milhão de vagas foram criadas nos últimos quatro anos. Aznar, entretanto, é acusado pela oposição de ter posto seus amigos na direção de 11 grandes grupos criados após um processo de privatização e megafusões de empresas. Alguns desses conglomerados, como o grupo Telefónica, foram condenados a pagar pesadas multas pela Justiça espanhola por obstrução à livre concorrência. A última grande crítica da campanha contra Aznar foi feita por Felipe Gonzalez, no encerramento da campanha, quando denunciou a decisão do governo de autorizar quatro licenças de telefonia celular de terceira geração - que permitem conectar o telefone à Internet, além de outras seis de telefonia local, via rádio. Segundo os socialistas trata-se de uma "cacicada", pois Aznar concedeu essas licenças por apenas 88 milhões de pesetas (US$ 510 mil), quando elas valem mais de dez vezes - cerca de 1 bilhão de pesetas (US$ 5,8 milhões). Outra incógnita será o comportamento dos eleitores do País Basco, que poderão ser sensíveis aos apelos formulados pelo grupo Herri Batasuna pela "abstenção ativa" nas eleições. Mais de 5.000 policiais vão garantir o processo eleitoral no País Basco espanhol. Esse número está sendo considerado insuficiente pelos sindicatos de policiais, que reivindicam um reforço de 3.000 homens da Guarda Civil e do Corpo Nacional de Polícia. Essa presença é necessária especialmente nas zonas rurais, onde a campanha de "abstenção ativa" do ETA e do Euskal Herritarrok, o braço eleitoral do Herri Batasuna, poderá ter maior repercussão.