São Paulo, 19 (AE) - Ehud Barak, do Partido Trabalhista, ganhou as eleições em Israel, com ampla margem acima de seu rival, o candidato do Partido Likud, Benjamin Netanyahu. Todos podemos comemorar, partidários de ambas tendências, israelenses e árabes, judeus e não judeus, brasileiros judeus e israelenses judeus. A democracia venceu.
Nestas eleições houve desde o início uma variedade de partidos participantes, desde a esquerda até a direita, desde os mais religiosos até os mais ateus, israelenses judeus, árabes e cristãos. Todos participaram, em plena liberdade, falando o que cada um achou por bem, e quem acompanhou a campanha eleitoral sabe que se falou muito e muito abertamente. Do processo de paz, da relação com as autoridades palestinas, do desemprego israelense, da diversidade de imigrantes do mundo todo, de corrupção e punição.
A ampla margem dos trabalhistas é muito importante para que eles possam governar sem ter de sacrificar valores e princípios que norteiam sua plataforma. No panorama pós-eleitoral, Barak terá de administrar uma sociedade altamente politizada, conflitos fundamentais com os vizinhos, particularmente com os palestinos, e graves discrepâncias socioeconômicas. A perspectiva é que, com uma vitória que nunca tinha sido tão significativa na história do Estado de Israel, Barak possa dar andamento ao processo de paz. A comunidade internacional, da qual os judeus do mundo todo fazem parte, saúda com alegria esse triunfo da democracia que possibilita avançar os passos em direção à paz.
Essa vitória será completa, e somente poderá provocar uma verdadeira e salutar revolução na política governamental, se a coalizão trabalhista puder amealhar a mesma margem de vitória na votação para a Knesset. Tão importante quanto a vitória pessoal de Barak, ou provavelmente ainda mais importante, será a vitória na Knesset, como prevemos, da coalizão trabalhista, com margem suficiente para que se possa dispensar as históricas e tristes alianças eleitorais, que sempre fizeram com que pequenos partidos sem expressividade proporcional pudessem negociar seus apoios a peso de ouro, como fiéis da balança. Acordos esses que, com o tempo, têm trazido desgastes a todos os últimos governos de Israel por não representarem nenhum vínculo concreto, nenhuma identificação de idéias, mas tão somente frutos de uma mera soma aritmética de cadeiras no Parlamento.
Temos acompanhado os dilemas dos últimos governantes ao ver-se pressionados e obrigados a paulatinamente diminuir a força do Estado pela força da religião, indo contra a vontade da esmagadora maioria da população israelense, tão somente para garantir a maioria da coalizão governamental. Governar com respeito por todas as tendências, porém, sem pressão desproporcionada das minorias, enfim, é o grande anseio do povo israelense.
O novo primeiro-ministro tem à sua frente tarefas hercúleas. Resolver de forma aceitável para palestinos e israelenses a questão da autonomia e do Estado independente e avançar na questão de Jerusalém, chegar a um acordo para garantir a segurança no norte de Israel e tirar as tropas israelenses do Líbano, criar um espaço de diálogo com os sírios, amenizar a questão do desemprego, promover cada vez mais uma separação entre religião e Estado, de forma satisfatória para os protagonistas israelenses. Natan Berger é presidente da Federação Israelita do Estado de São Paulo

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