Eléctricité de France deve arrematar ações da Light que serão leiloadas14/Mar, 18:29 Por Maria Fernanda Delmas Rio, 14 (AE) - A Eléctricité de France (EDF), sócia francesa da Light, é a empresa mais cotada para comprar na quinta-feira todas as ações do bloco de controle da companhia de energia em poder da BNDESPar - braço de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) -, que serão leiloadas na Bolsa de Valores do Rio (BVRJ). No desenho da esperada reestruturação da Light, a EDF tende a concentrar investimentos na distribuidora do Rio, enquanto sua sócia norte-americana, a AES, prefere o ativo paulista do grupo: a distribuidora Eletropaulo Metropolitana. Esta divisão foi confirmada no leilão das ações não ligadas ao controle, promovido pela BNDESPar no início do ano. A AES comprou 59% das ações preferenciais da Metropolitana e a EDF 23% dos papéis ordinários da Light. "A AES é dona da Geração Tietê e alugou linhas de transmissão da Eletrobrás em São Paulo, por isso faz sentido optar pelo Estado", afirma o analista de energia do Banco Boavista, Victor Pereira. Para continuar operando no Brasil, a EDF ficaria no Rio. A reestruturação da Light é possível desde 1998. O acordo de acionistas firmado em 27 de maio de 1996 previa que, dali a dois anos, os sócios poderiam vender ações, assegurando aos demais parceiros o direito de preferência na compra - a regra não vale para a BNDESPar. Fazem parte do grupo de controle a AES, a EDF, a Relliant, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e a BNDESPar. A diretora-presidente da CSN, Maria Silvia Bastos Marques, já disse que a empresa não tem interesse no leilão de quinta-feira. E o presidente do conselho de administração da CSN e da Companhia Vale do Rio Doce, o empresário Benjamin Steinbruch, já manifestou até a intenção de desfazer-se de sua parte da Light. Depois do leilão, espera-se que a EDF compre as ações da CSN, da Relliant e da AES na Light. E a AES deve ficar sozinha na Metropolitana. As mudanças ainda não aconteceram porque os sócios não chegam a um acordo sobre preço, avalia Pereira. Segundo ele, o preço pago pela Metropolitana é maior do que seu valor de mercado hoje. "Mas é benéfico que haja separação, porque ajudaria a equacionar a dívida da Light", diz. Na equação, a AES assumiria parte da dívida da Light em troca das ações da Metropolitana. Em dezembro, a Light tinha um endividamento de R$ 4,24 bilhões - cerca de R$ 3,4 bilhões relativos à compra da Metropolitana. Se a Light, que comprou a distribuidora paulista por meio da Light Gás, vender sua participação pelo valor da compra, o montante será de R$ 2,3 bilhões, cerca de 55% do endividamento. Pereira avalia a Light como uma boa empresa, apesar da dívida, e espera um lucro de R$ 105 milhões para o quarto trimestre de 1999, depois de um prejuízo de R$ 393 milhões nos nove primeiros meses do ano. A BNDESPar venderá um lote de 1,294 milhão de ações, representando 9,23% do capital total da companhia. O preço mínimo é de R$ 506,334 milhões.

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