"Ele parecia um boyzinho dos Jardins", diz assaltante
São Paulo, 02 (AE) - Em liberdade desde maio do ano passado, quando deixou o Instituto Penal Agrícola (IPA), de Bauru, beneficiado pela Justiça com o regime aberto, Carlos Fernando Manão, um dos assassinos do delegado Luciano Heitor Beiguelman, é suspeito da autoria de sequestros relâmpagos e roubo de carros importados. Condenado a 5 anos e 4 meses por assalto, ele teve um ferimento leve no rosto, um tiro no ombro e outro nas nádegas. Em uma sala do 15.º Distrito, do Itaim, onde foi autuado em flagrante por latrocínio (assalto seguido de morte) e resistência, o ladrão falou ao repórter Renato Lombardi. AE - Você imaginava que tinha assassinado um delegado? Carlos Fernando Manão - Nunca. Parecia um boyzinho folgado, desses que andam de carro importado pelos Jardins. O que me chamou a atenção é que estava armado e atirou em mim. AE - Quando soube? Manão - Pedi para que me matassem dentro do carro da polícia. Quando chegaram na casa dos meus primos achei que era por causa dos tiros no sujeito do Fiat e nem imaginei que o cara era delegado. AE - As pessoas atacadas por vocês reagem? Manão - Elas ficam com medo. O cara do Audi nos enfrentou e ficamos irritados. Logo imaginei que o carro era blindado porque ele não se intimidou com o tiro que dei na lataria. AE - Foi fácil sair do hospital, em Guarulhos, mesmo baleado? Manão - Liguei para meu pai e disse que eu sofrera um assalto. Ele pagou a despesa pelo atendimento do pronto-socorro e falou que se responsabilizava por mim e o médico da família ia me tratar em casa. AE - Seu pai acoberta seus crimes? Manão - Ele não sabe o que eu faço na rua. Acho que ele desconfia. Eu dizia para ele e para a minha mãe que estava trabalhando num depósito de material para construção. AE - Porque seu pai te levou para a casa dos seus primos? Manão - Não sei. AE - Você sai para roubar todas as noites? Manão - Quem sai da cadeia, sai duro e ninguém dá oportunidade para um presidiário. O Monstro fugiu da cadeia em abril e o Alan está sendo processado. Conseguimos umas armas emprestadas e quase todas as noites a gente saía para conseguir uma grana. Agora não sei o que vai nos acontecer. Quero ir para um hospital. Estou passando mal.





