Curitiba- Aos sete meses de idade, os olhinhos de João Artur sempre procuravam pontos como lâmpadas acesas, o sol, ou então ''olhava para o vazio''. Um dia a avó notou que o garoto, ao invés de levar um biscoito à boca, levou-o na direção do nariz. Um mês depois, com o diagnóstico de catarata nuclear congênita, o menino foi submetido a cirurgia e no dia seguinte à intervenção, passou a usar óculos, com lentes de 18 graus, em substituição ao cristalino afetado, que foi retirado.
''Eu demorei para descobrir'', conta a mãe, a administradora Maria Cecília Zampoli Schafhauser. Um dos problemas é que na época a família morava em um pequeno município, onde não havia médicos especializados. Outro problema foi a dificuldade em perceber que o filho não enxergava bem. Exame médico mostrou que João só tinha 20% de visão.
''Quando eu chegava em casa, ele já olhava para a porta. Eu achava que ele me enxergava, quando na verdade ele olhava na direção da minha voz. Quando eu trocava sua fralda, eu achava estranho que ele ficava balançando as mãozinhas na frente dos olhos, mas ele também pegava a minha corrente que balançava na frente dele'', diz. Ela lembra de outros sintomas que, na época, não relacionou a um possível problema de vista. ''Ele demorou para sentar, para pegar sozinho os brinquedos. Quando andávamos com ele no colo, ele sempre olhava para baixo''.
Hoje, aos dez anos de idade, João Artur continua usando óculos, agora com lentes de 12 e 14 graus. Apesar de alguns especialistas optarem por implantar uma lente intraocular em substituição ao cristalino ainda na infância, por recomendação médica a família decidiu aguardar mais para fazer o implante da lente. ''Agora ele mesmo já está querendo colocar a lente'', conta a mãe.
Comum em quem teve catarata, há quatro anos João acabou desenvolvendo glaucoma pressão alta do olho. Além de seguir uma rotina com uso de colírio três vezes ao dia, a cada seis meses João tem que ir ao oftalmogista. Essas obrigações não significam nada para Cecília, que sabe que se a catarata não tivesse sido detectada naquela época seu filho poderia estar cego hoje. (M.G)

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