Sorocaba - A professora Luciane Nunes de Oliveira Souza, 38 anos, que ganhou no Superior Tribunal de Justiça (STJ) o direito de indenização por abandono afetivo, disse ontem que se sentiu abandonada pelo pai. ''Desde que nasci ele nunca me quis'', afirmou. Em entrevista na presença do advogado João Lyra Neto, que a representou na ação, ela disse que não sente raiva do pai - um empresário -, mas deixou transparecer uma grande mágoa. ''Se eu chegar agora na casa dele e pedir um pedaço de pão duro ele não vai me dar''.
Moradora de Votorantim (SP), Luciane teve reconhecido pelo STJ seu direito a uma indenização de R$ 200 mil por danos morais por ter sido tratada com ''desmazelo'' pelo pai. O tribunal entendeu que houve uma ausência quase completa de contato do pai com a filha, em descompasso com o tratamento dispensado a outros herdeiros.
O empresário tem outros três filhos, o mais velho com 36 anos. Luciane confirmou que nunca teve o apoio paterno. ''Passamos por muitas dificuldades, principalmente em relação à alimentação. Meus irmãos sempre tiveram tudo e eu nunca tive nada'', desabafou.
Fruto de um relacionamento extraconjugal do pai, a professora, que é casada, revelou que em toda a sua vida sentiu falta de ter um pai. ''Uma pessoa para me aconselhar, para conversar, para me ajudar no que eu precisasse, eu nunca tive. Eu me encontrei com meu pai algumas vezes, tanto que ele pagou a pensão porque foi obrigado, mas em nenhuma das vezes ele me deu atenção''.
Luciane disse que entrou com a ação porque considerava a causa justa. ''Ele é meu pai, na minha veia corre o sangue dele, da nossa família, eu acho que é um direito meu'', afirmou.
O pai de Luciane não falou com a imprensa. De acordo com seu advogado, Antonio Carlos Delgado Lopes, o pai também sofreu por ter sido impedido pela mãe de se aproximar da filha. Lopes deve entrar nos próximos dias com um recurso chamado embargos de divergência no Supremo Tribunal Federal (STF).

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