Responsável pelo programa Rosa Viva, que atende vítimas de estupro na Maternidade Lucilla Ballalai em Londrina, a coordenadora de enfermagem da instituição, Ana Olímpia Veloso, comenta que não há perfil definido das vítimas atendidas no local. "São mulheres jovens ou mais maduras, inclusive idosas, de todas as classe sociais", relata.
O programa faz parte da rede de enfrentamento da violência contra a mulher e visa oferecer "prevenção de agravo" às vítimas. No local, que atende mulheres a partir dos 12 aos, elas são acolhidas, passam por exame físico e recebem medicamentos antirretrovirais para prevenir HIV, antibióticos para Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e medicamento de contracepção de emergência. "O atendimento é imediato, sem necessidade de denúncia ou boletim de ocorrência, apesar de orientarmos sobre a importância da denúncia à polícia para romper o ciclo de violência", descreve.
As mulheres são acompanhadas pelo programa por seis meses, para avaliação da saúde, adesão ao tratamento e acompanhamento psicológico. No ano passado, o Rosa Viva realizou 33 atendimentos em Londrina. Nos primeiros cinco meses de 2016, foram 15 mulheres atendidas. "Em geral, elas chegam com lesões, o que indica uso da força e ameaça, bastante vulneráveis e assustadas", diz.
Os casos chocam porque acontecem em ambientes muito diversos: desde universitárias indo ou voltando da aula até casos de estupro após assalto no domicílio. Os agressores, em geral, são desconhecidos ou conhecidos há pouco tempo.
Para Ana Olímpia, a situação em que as mulheres chegam ao serviço indica que a cultura do estupro infelizmente é uma realidade no Brasil, "A questão do machismo, da dominação masculina e da objetificação da mulher é muito clara. Já houve muita luta e muitas mudanças, mas ainda há muito a melhorar." (C.A.)

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