Ela nos ensinou um trabalho de amor
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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Rosiane Correia de Freitas<br> Equipe da Folha 
Curitiba- Na vizinhança da Paróquia São Lucas, no bairro Xaxim, em Curitiba, a notícia do terremoto que atingiu o Haiti deixou todos em alerta desde a manhã de ontem. No bairro, cerca de 185 famílias são acompanhadas pelas voluntárias da Pastoral da Criança. É também por lá que mora a irmã Rosangela Maria Altoé, que estava acompanhando Zilda Arns na viagem ao Haiti. No fim da manhã de ontem, a irmã Lourdes Maria Moser, respirou aliviada quando recebeu uma ligação rápida de Rosangela. Ela disse: estou viva, contou.
No entanto, a notícia de que a fundadora da Pastoral havia falecido deixou todos perplexos. O trabalho de Zilda Arns inspirava pessoas como a aposentada Ana Aparecida Cano de Lima, que há 13 anos acompanha mães e filhos da região pela Pastoral da Criança. É um trabalho de amor. O que ela nos ensinou foi isso, disse.
Já tive um infarto, um derrame. Mas essas famílias precisam de uma palavra amiga, destacou. O trabalho de voluntárias como dona Ana garante que crianças como os três filhos de Antonia de Fátima Araújo Andrade cresçam saudáveis. Desde o segundo filho eu participo da pastoral. Aprendi muito, a fazer uma alimentação melhor. E sinto falta quando não tem reunião, contou.
Quando fomos na Pastoral, minha filha tirou uma foto no colo da doutora, lembra Fátima. Foi desse momento que ela lembrou quando recebeu, pela imprensa, a notícia da morte da médica. O impacto do trabalho da pastoral foi tão grande na vida de Fátima, que os planos dela agora são de se tornar voluntária e ajudar outras mães.
Influência
A família de Maria da Conceição Oliveira Hamester se reuniu ontem na sede da Pastoral da Criança. Ela, o marido, os quatro filhos e o neto trabalharam com a fundadora da entidade, Zilda Arns. Há 22 anos Maria Ciça - como é conhecida - trabalha como voluntária na Pastoral. A filha mais velha tinha seis anos quando a mãe começou a levá-la junto nas reuniões do trabalho comunitário. Hoje Kassyanna é nutricionista. Eu ajudava a explicar como funcionavam as vitaminas para as mães e decidi que queria trabalhar com alimentação, contou.
Para Maria Ciça, a principal característica de Zilda Arns era a preocupação com a descentralização do trabalho. Ela sempre homenageava as líderes comunitárias, sempre dizia que sem as voluntárias o trabalho não existiria, lembrou.
A última vez que Ciça falou com Zilda foi no fim de dezembro. Jantamos juntas e ela disse que quando o Senhor nos chamasse, iria ser rápido porque seria muito triste ver apagar aos poucos o sorriso, contou. Mas também disse que não era para nos preocupar com isso que ainda havia muito o que fazer, completou.


