Arquivo FolhaO inverno deverá ser mais úmido no Sul do País por conta do El Ni¤oO inverno começou oficialmente às 5h21 de hoje e deve ser marcado pela presença do fenômeno meteorológico conhecido como El-Ni¤o. A influência deste fenômeno nesta estação divide os meteorologistas. O El-Ni¤o é o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, que provoca alterações climáticas em várias partes do mundo. No Brasil, as consequências mais evidentes são observadas nas regiões Sul e Nordeste e muitas vezes em parte do Sudeste. Em época de El-Ni¤o, as chuvas tendem a ser mais intensas no Sul e mais escassas no Nordeste brasileiro.
Este ano, relatórios divulgados pela National Oceanic and Atmospheric Administration, NOAA, órgão que faz avaliação de dados ambientais usando tecnologia de satélites, nos Estados Unidos, indicam a presença de um El-Ni¤o com forte intensidade. Alguns pesquisadores já consideram esta a mais forte manifestação do El-Ni¤o este século. Isso porque as águas do Pacífico Equatorial, na altura da costa do Peru, já estão 4 graus mais quentes que o normal. A última vez que o El-Ni¤o se manifestou com intensidade foi em 1983, quando as águas chegaram a ficar 3,5 graus acima da média. E era, até agora, a manifestação mais forte do fenômeno.
Segundo o pesquisador do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Prakki Satyamurti, as águas do Pacífico Equatorial começaram a apresentar indicações da presença do El-Ni¤o em abril. Porém, o que chama a atenção do pesquisador é que este ano o El-Ni¤o amadureceu muito rápido. Isto é, o aquecimento do oceano aconteceu rapidamente, atingindo 4 graus acima da média. De acordo com Satyamurti, é uma situação anômala, porque este pico de temperatura costuma acontecer gradualmente, chegando ao amadurecimento no final do ano, justificando, assim, o nome dado ao fenômeno, ‘‘O Menino’’, uma referência à época do Natal.
Apesar dessa situação fora do comum, Prakki Satyamurti prefere não fazer uma previsão para o inverno com base no El-Ni¤o. Segundo ele, as consequências do fenômeno ainda precisam ser avaliadas. ‘‘Não dá para falar que vai ser uma estação mais chuvosa no Sul em função do El-Ni¤o, apesar das chuvas nesta região estarem acima da média nas últimas semanas’’, avalia o pesquisador. Também não é possível dizer ainda, de acordo com o meteorologista do Inpe, quais as consequências da presença do El-Ni¤o para a próxima estação chuvosa no Nordeste, em fevereiro e março do ano que vem, ou seja, se há possibilidade de ocorrência de seca na região e sua intensidade.
Já para o meteorologista da empresa Climatempo, Carlos Magno do Nascimento, os efeitos do forte El-Ni¤o devem ser sentidos durante o inverno no Sul e Sudeste do Brasil. Segundo ele, o centro da Argentina, Chile e Uruguai, o Sul do Brasil e também São Paulo devem ter um inverno mais úmido e mais chuvoso por causa do fenômeno meteorológico. Para Carlos Magno, ele deve provocar o bloqueio de frentes frias sobre o centro-sul do Brasil, mantendo o tempo chuvoso. Com isso, as massas de ar polar também terão dificuldade para avançar e as temperaturas devem ficar mais amenas. Carlos Magno acredita que as chuvas acima do normal no Centro-Oeste do Brasil já podem ser relacionadas ao El-Ni¤o assim como as chuvas no Sul e as temperaturas altas na Malásia, Indonésia, Índia e Austrália.

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