El Niño promete primavera mais chuvosa e quente no Paraná
Previsão indica chuva acima da média e temperaturas normais ou elevadas; Londrina já registra 220 mm em setembro
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Previsão indica chuva acima da média e temperaturas normais ou elevadas; Londrina já registra 220 mm em setembro

A primavera começa nesta terça-feira (22), às 21h05, trazendo para o Paraná a perspectiva de uma estação mais chuvosa e quente que o habitual. O cenário é influenciado pelo El Niño, fenômeno que, segundo órgãos nacionais de meteorologia, deve atingir intensidade muito forte durante o trimestre de setembro a novembro e permanecer atuando ao longo do verão.
A agrometeorologista do IDR-PR (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná) Ângela Costa explica que a primavera é uma estação de transição entre o inverno e o verão e, naturalmente, marca a elevação gradual dos volumes de chuva. Neste ano, porém, a expectativa é de precipitações acima da climatologia.
Em Londrina e região, a referência histórica de chuva para setembro é de aproximadamente 108 mm, mas o acumulado do mês já chega a cerca de 220 mm, segundo Costa. Para os meses seguintes, as médias históricas são de 156 mm em outubro, 164 mm em novembro e 207 mm em dezembro. A expectativa é de que os volumes possam superar esses valores.
O prognóstico nacional confirma a tendência de maior umidade no Sul. O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) aponta que o El Niño favorece chuvas acima da média na Região Sul, enquanto áreas do Norte e do Nordeste tendem a registrar volumes inferiores ao normal.
Entretanto, a chuva acima da média não será a única característica da estação. Costa prevê temperaturas médias na faixa normal ou acima dela, com possibilidade de ondas de calor. Para setembro, a temperatura média histórica citada pela meteorologista fica em torno de 23°C a 24°C; em outubro, novembro e dezembro, próxima de 25°C.
Já as temperaturas máximas podem ser superiores. Registros históricos já alcançaram cerca de 39°C em setembro, 40°C em outubro, 39°C em novembro e 36°C em dezembro. Segundo Costa, marcas próximas a esses valores podem voltar a ocorrer, embora a passagem de sistemas de chuva provoque quedas temporárias nas temperaturas.
A combinação de calor e maior disponibilidade de umidade também aumenta a possibilidade de eventos de tempo severo, como tempestades, granizo e ventos fortes. O próprio INMET destaca que o cenário associado ao El Niño aumenta a probabilidade de impactos hidrometeorológicos durante a primavera.
Atenção para a agricultura
Para o campo, o excesso de chuva pode representar tanto benefício quanto risco. A disponibilidade de água é fundamental para o desenvolvimento das culturas, mas precipitações excessivas podem provocar encharcamento do solo, dificultar operações agrícolas e favorecer doenças.
“Chuva em excesso pode danificar alguma lavoura. Chuva de granizo pode estragar folhosas e, dependendo da chuva, o excesso nos grãos pode gerar doenças”, explica Costa.
Por isso, a meteorologista recomenda o acompanhamento contínuo das condições climáticas para definir as atividades no campo. “Eu sugiro que, tanto o produtor rural quanto a população em geral, faça o acompanhamento da previsão do tempo para tomar as decisões, e também fiquem atentos aos alertas da defesa civil, para tomar as medidas de precaução, para se proteger e proteger também as lavouras”. diz.
Fenômeno no Pacífico
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. O fenômeno altera a circulação atmosférica e modifica a distribuição das chuvas e das temperaturas em diferentes partes do planeta.
De acordo com o boletim mais recente divulgado por órgãos como o Inmet, Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico) e Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), há mais de 90% de probabilidade de o El Niño alcançar intensidade muito forte no trimestre entre setembro e novembro.
No Paraná, os efeitos não são uniformes. Costa explica que o Estado está em uma área de transição climática, então, o Sul paranaense recebe maior influência dos padrões do Sul do Brasil, enquanto o Norte sofre influência de sistemas associados ao Sudeste e ao Centro-Oeste.


Luis Fernando Wiltemburg
Repórter de Cidades.



