Eid afirma que dinheiro entregue a Rocha foi para campanha
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segunda-feira, 22 de março de 1999
Por Flávio Mello 
São Paulo, 23 (AE) - O coordenador do Comitê de Propaganda das mais recentes campanhas políticas do ex-prefeito Paulo Maluf (PPB), o empresário Calim Eid, afirmou hoje que a única verba que entregou a Sílvio Rocha de Oliveira foi para despesas das suas campanhas a deputado estadual e federal. Demitido no início de fevereiro, Oliveira era o funcionário "intocável" contratado pela Companhia de Processamento de Dados do Município (Prodam) no início da gestão do ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) para prestar serviços desconhecidos na Secretaria do Governo Municipal e na Administração Regional da Penha.
"A minha função era entregar essa verba de propaganda e para despesas da campanha, como tínhamos de fazer também para os outros candidatos", afirmou Eid. O empresário disse não recordar qual a quantia que teria repassado para Rocha, porque havia vários candidatos e o registro era feito pelas demais pessoas que integravam o Comitê de Propaganda.
"Todas essas informações estão registradas na Justiça Eleitoral", justificou Eid. Ele disse não se lembrar de como conheceu Rocha e nunca se ter reunido isoladamente com candidato derrotado a deputado federal pelo PPB e Maluf.
Em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais, Rocha afirmou ter recebido US$ 50 mil - o equivalente a US$ 10 mil em cheque como sinal e US$ 40 mil em dinheiro - de Calim Eid. Esse dinheiro teria sido usado para comprar o sobrado no qual Rocha reside atualmente, em Artur Alvim, na zona leste.
Neta - Numa fita exibida ontem (22) na CPI, Rocha diz que o "presente" foi entregue para que ele não revelasse a possibilidade de Maluf ser o pai de sua neta. O funcionário "intocável" da Administração Regional da Penha disse que o ex-prefeito de São Paulo teve um caso amoroso e manteve relações sexuais com sua filha, Silvana.
"O único recurso que dei a ele foi para a campanha eleitoral, mas, se usou para outra finalidade, não sei", insistiu Calim Eid. Rocha mencionou na CPI que teria gravado uma de suas conversas com Eid, mas a fita não foi encontrada pelos policiais que investigam o caso.
Mentira - Maluf disse que a acusação é mentirosa. A sua assessoria de imprensa enviou hoje ao grupo Estado outra fita de vídeo. Nela, Rocha desmente as acusações exibidas ontem (22) .Gravada em 30 de setembro, de acordo com legenda, a fita contém depoimento em que Rocha diz ter sido induzido pelos adversários de Maluf a fazer as denúncias ao MPE.
"Fui estimulado a agir dessa forma; não é justo alguém querer tirar proveito contra Maluf, que é um homem honrado", diz Rocha na gravação. "Lá (no MPE) eu falei uma história que não é verdadeira." Rocha ameaçou processar quem levasse a público as declarações que ele dera e as denúncias que afirma ter retirado.
Invasões e contratação - Em depoimento no Ministério Público Estadual (MPE) em agosto de 1998, Rocha disse que começou a apoiar Maluf em 1986 - depois de contar que teria trabalhado na assessoria da Prefeitura na gestão Mário Covas e rompido com o ex-governador Orestes Quércia (PMDB). O trabalho a ser executado para Maluf seria com movimentos de moradia popular.
"Meu trabalho surtiu efeito, pois consegui participar de algumas invasões, de sorte que desestabilizaria o governo de Erundina, o que de fato ocorreu", afirmou no depoimento.
Esse depoimento foi prestado em agosto, por causa de um suposta ameaça feita por pessoas ligadas ao vereador Vicente Viscome (sem partido) e foragido da polícia. Em setembro, retornou ao MPE para dizer que as afirmações feitas anteriormente "não procediam".
Ontem Rocha afirmou na CPI ter sido pressionado a mudar o seu depoimento a mando de Calim Eid. O recado teria chegado por meio de Jesse Ribeiro, diretor comercial da Cohab ligado a Eid. "Levaram-me para um sítio, para ficar longe da imprensa."


