Egito repara erro arquitetônico da primeira mesquita africana
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quinta-feira, 11 de novembro de 1999
Por Vijay Joshi 
Cairo (AE-AP) - Durante sua conquista do Egito no ano 640, o invasor árabe Amr Ibn al-As levantou seu acampamento no local onde hoje encontra-se a cidade do Cairo. Diz a lenda que uma pomba fez um ninho no topo de sua tenda, então Amr escolheu o local para levantar a primeira mesquita na áfrica.
Através dos séculos, a mesquita foi carbonizada por incêndios
sacudida por terremotos e destruída pelo homem, sendo reerguida a cada incidente mais bonita e ampliada. Ela foi reparada e reconstruída pelos 20 vezes até que nada do projeto original tenha sobrado.
Agora, o salão principal da mesquita Amr Ibn al-As está sendo desmontado novamente, pilar por pilar, abóbada por abóbada. Ela será reconstruída durante o próximo ano com as peças originais para corrigir um erro arquitetônico cometido no século 18 por um governador do Cairo, Murad Bey Muhammad.
Quando ele reconstruiu a mesquita em 1779, a nona maior reconstrução da história, seus arquitetos posicionaram as abóbadas de maneira errada, colocando muito peso nas colunas de sustentação, a parede e o teto que com o tempo começaram a rachar e a entortar.
Por décadas, as autoridades ficaram satisfeitas em reparar e sustentar os pontos mais fracos porque muitos especialistas argumentavam que os arcos falhos representavam um evento histórico que deveria ser preservado. Mas em 1996 uma parte do teto caiu, deixando um buraco grande como uma piscina infantil.
"Foi quando nós começamos a encarar o problema mais seriamente", disse Mohammed Mehboub, arquiteto-chefe da reconstrução que está sendo feita pelo governo islâmico e pelo Departamento Cóptico.
Cerca de 500 trabalhadores, engenheiros, arqueólogos e especialistas em antiguidade estão envolvidos no projeto de US$ 3.6 milhões. Ele é parte de um plano para embelezar e reparar sítios medievais no distrito de al-Fustat, a capital que cresceu ao redor da mesquita após Amr ter derrotado os governantes bizantinos do Egito.
A mesquita de Amr, a quarta maior do mundo, era um estrutura simples do tamanho de duas quadras de tênis. Seu teto de palha era apoiado por três troncos e seu chão era recoberto por seixos; não tinha pátio nem minaretes.
Apesar de não haver qualquer vestígio deste prédio primário, a importância da mesquita está em suas sagradas origens. Companheiro do profeta Maomé, Amr trouxe o Islã para o Egito e sua mesquita tornou-se uma instituição religiosa que foi a plataforma para a disseminação da religião muçulmana na áfrica.
Exceto por breves interrupções, serviços religiosos vem sendo realizados continuamente no local desde 641, e partes da mesquita continuarão abertas aos fiéis durante o processo de reconstruam.
"Esta mesquita tem seu sabor, seu gosta, tem uma aura. Ela é a memória da nação", diz Saleh Lamei, do Centro para a Conservação e Preservação da Herança Arquitetônica Islâmica, um grupo privado.
Agora 20 vezes maior do que a original, a mesquita Amr Ibn al-As pode abrigar 5 mil pessoas em suas quatro edificações construídas ao redor do perímetro de um pátio. Uma construção cobre o salão principal, cujas paredes são ricamente ornamentadas com mehrab, um vão côncavo que indica aos fiéis a direção de Meca, a cidade sagrada para os islâmicos.
O arcos nas mesquitas tradicionalmente são paralelos á parede do mehrab e os fiéis alinham-se em fileiras nas arcadas formadas abaixo. Embora os arcos perpendiculares de Murad Bey não violem as leis islâmicas, críticos dizem que ele criou uma monstruosidade arquitetônica e estética, além de enfraquecer as estrutura.
"Se não fizéssemos isso agora ele seria conhecido como um criminoso cultural. Mas no seu tempo não havia UNESCO, não havia carta de direitos", diz Fahmy Abdul Aleem, ex-presidente do Departamento Islâmico e Cóptico.
A tensão dos arcos mal posicionados formou estranhos ângulos em algumas das 146 colunas de sustentação, nenhum dos quais parecidos. Os pilares foram retirados pelos primeiros construtores das mesquitas de templos romanos e bizantinos e igrejas, mantendo o costume da época.
Muitas dessas colunas serão reparadas ou trocadas por similares encontrados nos depósitos de antiguidades. Seus arcos de madeira e de tijolo serão reposicionados paralelamente á parede e os danos causados pela umidade e pelos lençóis dágua do rio Nilo, que fica próximo, serão consertados.
Uma alarme de incêndio, fios elétricos, um sistema de esgoto e bombas dágua para drenar a água do subsolo também serão construídos.
A história não deixou registro da razão pela qual o arquiteto de Murad Bey cometeu o erro. Nem mesmo o nome do arquiteto é conhecido, nem é considerado importante para a história.
"Depois de 200 anos, as pessoas irão apenas dizer que as mesquita foi reconstruída pelo presidente Hosni Mubarak. Ninguém irá se lembrar do nome do arquiteto", diz Mehboub, o arquiteto do governo.


