Efeitos da chuvarada no campo já são perceptíveis
Danos às estradas rurais de Londrina impedem a circulação de moradores e, nas lavouras e olericultura, a produção perde qualidade
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segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Danos às estradas rurais de Londrina impedem a circulação de moradores e, nas lavouras e olericultura, a produção perde qualidade

A população da zona rural de Londrina já sente os efeitos das chuvas dos últimos dias. Entre os 900 quilômetros de estradas de terra existentes no município, muitos pontos, em diversas regiões, foram danificados, limitando ou impedindo a circulação dos moradores. Agricultores também começam a contabilizar perdas, especialmente os produtores de hortaliças e de culturas de inverno, que assistem aos danos causados pelas águas sem poder agir.
Nesta segunda-feira (14), a Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento, responsável pela conservação das estradas rurais, ainda reunia informações sobre os prejuízos causados pela chuvarada. Mas uma avaliação preliminar apontava estragos em cerca de dez localidades, entre elas, os assentamentos Eli Vive 1 e 2, em Lerroville, o distrito de São Luís e o entorno da Estrada dos Periquitos, na região do Limoeiro (zona leste).
“Quando estiar, nós vamos fazer um levantamento de tudo e onde tiver pontos críticos, intransitáveis, vamos consertar, mas não dá para fazer tudo ao mesmo tempo”, adiantou o secretário de Agricultura, Jamil Janene. A prioridade, segundo ele, serão os reparos nos locais onde os danos impedem o acesso das crianças às escolas. O levantamento será feito em conjunto com outras pastas, como Meio Ambiente, Obras e Educação, além da CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Organização).
Janene ressaltou que recentemente houve reforço da estrutura existente para manutenção das estradas rurais no município, com o aumento do número de motoristas, que subiu de 15 para 30, a aquisição de maquinários e a otimização do reparo das máquinas. “Temos quatro equipes, mas com esse tempo chuvoso não tem como sair. Estamos monitorando as reclamações.”
O secretário disse que informações sobre novos pontos críticos chegam a todo instante e colocou à disposição dos londrinenses os telefones da Secretaria de Agricultura e o próprio WhatsApp para que os moradores da zona rural que estiverem em dificuldade, inclusive para escoar a produção, entrem em contato solicitando ajuda. Os números são 3372-4789 e 3372-4785 ou o 99991-4739.
No Patrimônio Selva (zona sul), o produtor de hortaliças Eliel dos Santos Silva estava preocupado com as perdas que começavam a aparecer nos canteiros. “Já começou a estragar. Quase uma semana de chuva, a terra encharcada, as plantas já não têm resistência. Não tem como passar preventivo contra as bactérias devido à chuva, não tem como preparar canteiro e as verduras em ponto de colheita começam a manchar as folhas”, relatou. Rúcula, alface e almeirão estão entre os produtos afetados até o momento.
Silva não parou para calcular o prejuízo, mas os danos à produção são bem visíveis e o caso dele não é isolado. “Hoje (segunda-feira), na Ceasa, tinha bastante produtor reclamando.” Além das folhas, os legumes também enfrentam problema de maturação, como o tomate, e o excesso de água combinado à temperatura mais baixa retarda o crescimento de algumas plantas, como a abobrinha e o pepino.
O resultado será percebido pela população em breve, que deverá pagar mais caro pelos produtos em razão da queda na oferta. “Os preços ainda estão estáveis, mas se continuar a chuva no período de setembro, vai faltar mercadoria e logo, logo, os preços começam a reagir porque em São Paulo também está chovendo muito. Colegas produtores em Ibiúna, no Cinturão Verde, já perderam muito. Está complicado porque não tem como plantar e o que está plantado está perdendo qualidade. Se parar a chuva agora, ainda dá para aproveitar alguma coisa, mas se continuar, e já tem previsão de mais chuva para a próxima semana, vai ficar difícil. Muita umidade não combina com hortaliças”, comentou o produtor rural.
Na Secretaria Municipal de Agricultura, ainda não havia uma estimativa das perdas nas lavouras e olericulturas do município.
Nas lavouras, a perda de qualidade é um reflexo imediato do aumento da umidade nos campos. Nas últimas semanas, as tempestades e os ventos fortes prejudicaram, principalmente, o final do ciclo do milho segunda safra, além do trigo, da cevada e demais cultivos de inverno em todo o Paraná.
“No caso do milho segunda safra, que vem sendo colhido há mais tempo, é perceptível a perda de qualidade”, avaliou a coordenadora do Departamento Técnico e Econômico do Sistema Faep, Ana Paula Kowalski. “Os grãos estão sendo colhidos com umidade elevada e isso acaba resultando em aumento na quantidade de grãos avariados e, consequentemente, na piora da classificação que o produtor recebe no momento em que entrega o produto”, explicou.
Entre o volume de produção que ainda estava no campo nessas últimas semanas, cerca de 10% foram perdidos por acamamento e tombamento de plantas.
No Norte Pioneiro do Estado, a situação é ainda mais preocupante. Enquanto nas outras localidades a colheita do milho está próxima do encerramento, naquela região os produtores ainda estão longe de finalizar a retirada do milho do campo, assim como o trigo e a cevada, cuja colheita está apenas iniciando. “A maioria das plantas, principalmente de trigo, está indo para a fase de maturação, pronta para a colheita. Esse grão, que já deveria estar seco, perdendo umidade para ser colhido, ainda está em uma situação muito úmida e isso ocasiona doenças fúngicas nas espigas que causam perda de produtividade e, certamente, também vão causar perda de qualidade”, afirmou Kowalski. Até o momento, somente 20% das lavouras de trigo foram colhidas e de cevada, 3%.
“Semana a semana, os recortes de qualidade da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná e o Departamento de Economia Rural (Deral) mostram que o percentual de lavouras em boas condições vem caindo enquanto os em média ou em condições ruins vem aumentando”, destacou a coordenadora.


Simoni Saris
Repórter com atuação nas áreas de Economia, Infraestrutura e Agronegócio.


