Adaptar-se aos efeitos colaterais da medicação que trata algumas doenças mentais não é tarefa fácil. Do lado do paciente, que sofre as consequências, é preciso paciência. Do médico, empenho para encontrar o medicamento que melhor se encaixe a cada caso.
A professora A., de 45 anos, que prefere não se identificar, está há dois anos em licença-médica por conta dos efeitos colaterais do medicamento que usa para tratar o transtorno delirante persistente.
Ela conta que há 10 anos já ''não estava bem'', com dificuldade para se concentrar e trabalhar, e com sintomas como achar que estava sendo perseguida. ''Procurava psiquiatras, mas eles só receitavam antidepressivos e ansiolíticos'', lembra.
Quando começou a tomar antipsicótico, que denomina como o ''terrível medicamento'', teve reações físicas e emocionais e ficou ''de cama'' por 90 dias. ''Ficava muito angustiada, com sonolência e tontura'', conta.
Foram idas e vindas em mais de dez médicos, e uso de vários medicamentos, sempre convivendo com os efeitos colaterais. ''Os familiares e médicos não têm noção do quanto o antipsicótico faz sofrer, é como uma punição'', conta a professora, que também é militante do movimento nacional de luta antimanicomial, que vem ganhando força desde a década de 80, quando começou.
A dificuldade, segundo a psiquiatra Maria Angélica Gambarini, é compreender que cada organismo reage de uma maneira à química do medicamento e que não existe um exame que vai mostrar qual é o melhor para cada um.
A médica explica que todos os medicamentos têm efeitos colaterais, mas como têm um tempo para agir, é um processo demorado encontrar a substância e a dose adequada para cada indivíduo. ''O paciente tem dificuldade para aceitar essa demora e fica mudando muito de médico. É ruim, porque acaba perdendo tempo e gastando um dinheiro terrível'', aponta. (C.P.)

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